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Obama no Japão para participar em cimeira do G7 e fazer visita histórica a Hiroshima

O Presidente dos Estados Unidos chega hoje ao Japão para participar numa cimeira dos sete países mais industrializados do mundo (G7), mas a quarta viagem de Barack Obama ao território japonês será marcada por uma visita histórica a Hiroshima.

Arquivo.

Arquivo.

© Carlos Barria / Reuters

Obama será o primeiro Presidente norte-americano em exercício a visitar a cidade de Hiroshima, onde os Estados Unidos lançaram a 06 de agosto de 1945 a primeira bomba atómica de urânio, com o nome de código "Little Boy".

Os ataques a Hiroshima (140 mil mortos) e, três dias depois, a Nagasaki (74 mil mortos) precipitaram a rendição do Japão e o fim da Segunda Guerra Mundial (1939--1945).

As consequências perduraram ao longo dos anos e milhares de pessoas morreram devido a ferimentos e doenças causadas pela radiação.

Dias antes da visita, agendada para sexta-feira, o chefe de Estado norte-americano afirmou, numa entrevista à emissora pública japonesa NHK, que não irá pedir desculpa por uma decisão tomada em tempo de guerra.

"Não, porque acho que é importante reconhecer que em plena guerra os líderes tomam todo o tipo de decisões. É o trabalho dos historiadores fazer perguntas e examiná-las, mas, como alguém que ocupa este lugar há sete anos e meio, sei que todos líderes tomam decisões muito difíceis, particularmente durante tempos de guerra", disse Obama.

Num inquérito realizado pela agência japonesa Kyodo aos 115 sobreviventes dos ataques atómicos de Hiroshima e de Nagasaki, 78,3% afirmaram não precisar de um pedido de desculpas, enquanto 15,7% admitiram que gostariam de ouvir tais palavras por parte do Presidente norte-americano.

Antes da deslocação a Hiroshima, Obama participará numa cimeira de chefes de Estado e de Governo do G7 (França, Grã-Bretanha, Estados Unidos da América, Alemanha, Japão, Itália e Canadá) na pequena localidade costeira de Ise-Shima, no centro do arquipélago.

Reunidos quinta e sexta-feira, os líderes do G7 terão uma agenda dominada por várias crises e desafios, como a desaceleração do crescimento mundial, o terrorismo e as vagas migratórias.

As tensões entre a China e os seus vizinhos no Mar da China do Sul, entre a Rússia e a Ucrânia, as alterações climáticas e as questões de saúde serão outros dos assuntos abordados pelos dirigentes.

A visita de Obama ao Japão também será marcada por um incidente que envolve um funcionário de uma base militar norte-americana em Okinawa. Kenneth Franklin Shinzato é suspeito do homicídio da jovem japonesa Rina Shimabukuro, de 20 anos, que estava desaparecida desde finais de abril.

O secretário da Defesa norte-americano, Ashton Carter, apresentou no sábado passado desculpas ao seu homólogo japonês, e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, irá abordar este tema diretamente com Obama e pedir um endurecimento das medidas disciplinares e preventivas, afirmou na segunda-feira um porta-voz do governo japonês.

Durante os seus dois mandatos presidenciais, Obama -- também nome de uma cidade japonesa localizada na província de Fukui - fez três deslocações ao Japão (2009, 2010 e 2014).

Lusa

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