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Primeiros neandertais já exploravam o subsolo e utilizavam o fogo

Os primeiros representantes europeus dos neandertais, cerca de 140.000 anos antes do homem moderno, ocuparam cavernas profundas e construíram estruturas complexas com o apoio do fogo, revela um estudo divulgado hoje.

Fogueira de São João em Gijon, Espanha / Reuters

Fogueira de São João em Gijon, Espanha / Reuters

© Eloy Alonso / Reuters

Esta é uma descoberta que fornece uma visão sem precedentes sobre estes hominídeos.

Até hoje, a prova mais antiga de que estes homens frequentavam as cavernas remontava a cerca de 38.000 anos atrás, na caverna francesa de Chauvet (sudeste). Um novo estudo trouxe novas descobertas sobre o assunto.

A gruta francesa de Bruniquel, perto de Toulouse, ofereceu esta descoberta inesperada: seis estruturas compostas por estalagmites, ou pedaços de estalagmites, organizadas de forma mais ou menos circular junto a restos de combustão de fogo.

Jacques Jaubert, um dos líderes deste estudo e etnólogo do Centro Nacional da Pesquisa Cientifica (CNRS) de França, explicou que a organização da gruta não é fruto do acaso, pois existem elementos fragmentados e sobrepostos para manter as estruturas em pé.

Ao todo, podem contar-se cerca de 400 estalagmites, com um peso global estimado em 2,2 toneladas, estando colocadas de forma a formar uma linha continua, estas estruturas alcançariam os 112 metros.

A equipa de investigadores batizou estes restos fragmentados e reorganizados de "speleofacts". Junto a estes fragmentos, o uso do fogo é visível, demonstrando não ter origem nem no passar do tempo, nem em animais.

Estes detritos de fogo, segundo a interpretação da equipa, revelam que, "muito antes do homo-sapiens", os primeiros neandertais sabiam utilizá-lo para circular num espaço fechado e desprovido da luz do dia.

As estruturas encontram-se a 336 metros da entrada, o que a torna "a mais antiga a essa distância", "a mais bem conservada", e "uma das primeiras da história da humanidade", dado que existem outras mais antigas mas com estruturas mais fragmentadas ou contestadas pela etnologia.

A sua própria existência, segundo os peritos, é em si mesma surpreendente. Este estudo destaca que é "praticamente única nos registos arqueológicos, de seja qual for o período".

Em Bruniquel, a idade das estalagmites é muito anterior à da chegada dos homens modernos à Europa (-40.000), pelo que os seus autores seriam os primeiros homens de Neandertal.

A gruta, que estava fechada, foi descoberta em 1990 e cinco anos depois foi feita a primeira datação, utilizando o método da datação em carbono catorze, dando uma idade mínima de 47.600 anos, o limite que esta técnica permite.

A partir de 2013, novas análises baseadas nas propriedades radioativas do urânio, que medem o final do crescimento das estalagmites utilizadas, permitem chegar a uma idade média para os fragmentos de 176.500 anos, com uma margem de erro de 2100 anos.

Nessa época atravessava-se um período "glaciar, mas dentro de um episódio relativamente húmido e ameno", acrescentou Dominique Genty, diretor de investigação do CNRS.

Os peritos querem determinar primeiro a documentação do achado antes de avançarem para a interpretação.

Mas, por eliminação, explicam que se pode supor que estas construções circulares não foram construídas por motivos ambientais, nem de alimentação, mas sim para criar um local de culto e de celebração.

Lusa

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