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Famílias de militares mortos em Cabo Verde queixam-se de falta de informação

Familiares das vítimas do massacre de há um mês num destacamento militar em Cabo Verde queixam-se de falta de informação e admitem constituir advogado para acompanhar o processo, de que é suspeito um soldado do mesmo posto.

DULCENEIA RAMOS/ LUSA

No dia em que se assinala um mês sobre a descoberta de 11 corpos - oito militares e três civis - no destacamento militar de Monte Txota, interior da ilha de Santiago, a agência Lusa falou com os pais de dois dos militares mortos alegadamente por um soldado do mesmo destacamento, que aguarda julgamento do caso em prisão preventiva.

O processo está a ser conduzido pelas Forças Armadas cabo-verdianas e os familiares queixam-se de não receberem informações sobre o que realmente se passou no posto na noite de 25 de abril nem sobre a forma como está a decorrer o processo.

Francisco Lopes Ribeiro, mais conhecido por "Bebé", pai de José Maria Correia Ribeiro, 26 anos, uma das oito vítimas militares, disse à agência Lusa que o último mês tem sido de grande sofrimento para a família, apenas atenuado pelas visitas de vizinhos, amigos e conhecidos.

O pai adiantou que até agora não teve qualquer informação sobre o que terá acontecido em Monte Txota, afirmando que é isso que tem deixado a família ainda mais angustiada.

"Passamos todo este período descontrolado e desanimado porque ainda não tivemos nenhum tipo de informação sobre o que aconteceu em Monte Txota. Ninguém nos explicou nada sobre isso", lamentou "Bebé", morador na localidade de Terra Branca, concelho de Santa Cruz.

Indicou que já recebeu uma carta de condolências do Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, e tem recebido visitas de responsáveis das Forças Armadas, que nada lhe revelaram sobre o que terá acontecido ao filho.

Francisco Lopes Ribeiro, 50 anos, recordou que também cumpriu dois anos de serviço militar no Centro de Instrução do Morro Branco, em São Vicente, mas ainda está a tentar entender como foi possível um soldado conseguir matar oito colegas - e depois três civis - sem que ninguém tivesse reagido.

Lamentando também o facto de os corpos terem sido descobertos um dia depois do suposto crime, este pai espera que o suspeito possa explicar o que aconteceu e seja punido pelo ato.

A mesma opinião tem Francisco Pereira Rocha, mais conhecido por "Tchico", pai do soldado Mário Stanick Fernandes Pereira, 21 anos.

"Tchico", 44 anos, morador em São Domingos, adiantou à Lusa que as Forças Armadas cabo-verdianas têm efetuado visitas à família para prestar apoio, mas sem avançar mais informações sobre o que terá acontecido.

Por isso, lamentou o secretismo do caso e disse esperar por alguma explicação das autoridades cabo-verdianas sobre a morte do filho.

"É isso que queremos: alguma explicação", reforçou. "Se isso não acontecer, sentir-me-ei obrigado a constituir advogado para ver se o processo avança", adiantou "Tchico".

Terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, Luís Filipe Tavares, anunciou que o Governo vai criar uma pensão mensal para compensar as famílias das vítimas das mortes no destacamento militar.

Enaltecendo o gesto, Francisco Lopes Ribeiro, que recebeu a notícia pela agência Lusa, afirmou que as autoridades cabo-verdianas devem informar as famílias oficialmente.

"Todo o apoio é bem-vindo", completou Francisco Pereira Rocha, ressalvando, no entanto, que a pensão "não trará o filho de volta nem aliviará o sofrimento da família".

A investigação à morte de 11 pessoas - oito militares e três civis, incluindo dois cidadãos espanhóis - às mãos de outro militar, é tutelada pelo Comando da 3.ª região militar de Cabo Verde, que tem 90 dias para instruir e remeter o processo ao chefe de Estado Maior das Forças Armadas, que posteriormente o enviará ao Tribunal Militar.

Na sequência deste caso, as chefias das Forças Armadas estão demissionárias e os membros do Tribunal Militar com o mandato expirado, aguardando-se nomeação de novos membros pelo Presidente da República.

A imprensa cabo-verdiana noticiou entretanto que o Ministério Público formalizou um pedido para assumir a investigação, que segundo informações mais recentes continua em fase de interrogatório.

Na origem da morte dos militares, que terão sido baleados pelo suspeito António Silva Ribeiro enquanto dormiam, terá estado um confronto físico entre colegas.

Lusa

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