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Representante da oposição síria nas negociações de paz anuncia demissão

O representante da oposição síria nas negociações de paz para a Síria, Mohammed Allouche, anunciou este domingo a sua demissão, invocando o fracasso das negociações e a continuação dos bombardeamentos do regime de Bashar al-Assad nas zonas rebeldes.

Um rapaz com uma bandeira da oposição síria.

Um rapaz com uma bandeira da oposição síria.

© Bassam Khabieh / Reuters

"As três rondas de negociações (que decorreram em Genebra, sob a égide das Nações Unidas) não tiveram resultados por causa da teimosia do regime e a continuação dos bombardeamentos e agressões ao povo sírio", disse Allouche, membro do órgão político do grupo armado Jaish al-Islam (grupo apoiado pela Arábia Saudita) e que foi nomeado como negociador principal para as conversações com o governo sírio.

"As negociações sem fim afetam no destino do povo e, por isso, anuncio a minha saída da delegação e a minha demissão", afirmou, numa publicação na rede social Twitter.

O representante da oposição síria denunciou também a "incapacidade da comunidade internacional de fazer aplicar as resoluções, nomeadamente as que dizem respeito aos aspetos humanitários, o levantamento dos cercos, a entrada da ajuda, a libertação de prisioneiros e o respeito da trégua".

Allouche referia-se ao acordo russo-americano para a cessação das hostilidades entre o regime e os rebeldes que entrou em vigor a 27 de fevereiro, mas que foi violado em várias ocasiões.

Os bombardeamentos, de ambas as partes, sucedem-se em locais como Alepo e perto da capital, Damasco. O regime sírio recusa a entrada da ajuda em cidades como Daraya, cercada desde 2012.

As conversações, mediadas pela ONU, entre o governo sírio e os grupos da oposição, em Genebra, terminaram a 27 de abril, ao fim de duas semanas, sem quaisquer avanços, ao mesmo tempo que os combates regressavam ao terreno, com a violação do cessar-fogo.

Era esperada uma nova ronda de negociações no final deste mês, mas ainda não foi avançada uma nova data.

O enviado especial da ONU, Staffan de Mistura, disse na quinta-feira ao Conselho de Segurança que tencionava convocar novas negociações logo que possível, mas que isso não acontecerá "antes de duas ou três semanas".

O mediador sublinhou que primeiro é preciso "constatar que há progressos no terreno, em particular no que diz respeito ao cessar-fogo e acesso de ajuda humanitária", antes de um recomeço das negociações entre o governo sírio e a oposição.

Desde o início da revolta contra o regime do presidente Bashar al-Assad, em março de 2011, a guerra na Síria já fez mais de 270 mil mortos e milhões de deslocados e refugiados.

Lusa

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