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Mais de metade das deputadas japonesas já sofreram assédio sexual

Mais de metade das deputadas dos parlamentos regionais do Japão dizem ter sofrido assédio sexual por parte de colegas e eleitores durante campanhas, revela um inquérito da agência Kyodo, publicado hoje por vários meios de comunicação nipónicos.

arquivo ap

À sondagem, realizada entre as 261 mulheres que ocupam cargos políticos no país asiático, responderam 147 deputadas, ou seja, 56,4 por cento das consultadas.

Entre elas, 59,2% disseram ter sofrido assédio sexual por "palavras e ações", durante a sua carreira política.

No questionário, 69% declararam que foram os próprios deputados das suas assembleias que cometeram estes atos, enquanto 53% assegurou ter sofrido algum tipo de assédio por parte de potenciais eleitores durante a época de campanha eleitoral.

Os dados refletem uma vez mais o sexismo latente ou as lacunas em matéria de igualdade de que sofre o Japão - especialmente em áreas como a política - onde as mulheres constituem uma minoria.

Hoje, apenas 9,8% dos assentos políticos estão ocupados por mulheres, segundo dados do Ministério dos Assuntos Internos e Comunicações do Japão.

Entre as agressões pormenorizadas no questionário, mencionam-se casos de deputados que, durante viagens de trabalho, entraram nos quartos da suas colegas para tentar beijá-las "à força".

Também se pormenorizam as agressões de eleitores masculinos que, durante as campanhas, tocaram nas candidatas ou situações em que as deputadas foram obrigadas a servir bebidas aos homens - um costume do Japão feudal que ainda é bem visto no país - "para obterem o seu voto".

O sexismo na política nipónica ficou exposto em junho de 2014, quando uma deputada de Tóquio, Ayaka Shiomura, foi ridicularizada e interrompida por vários colegas do hemiciclo com o grito "Devias de ter antes tu própria um filho" ou "Apressa-te e casa-te" quando defendia mais apoio para as mães trabalhadoras.

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