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Casais chineses compram cada vez mais esperma no mercado negro

Casais chineses estão a recorrer cada vez mais ao circuito de venda ilegal de esperma, que é ejetado diretamente na mulher, através do uso de uma seringa ou via relações sexuais, relata a imprensa local.

Espermatozóide humano.

Espermatozóide humano.

M-H Perrard

Segundo o jornal oficial Global Times, os bancos de esperma do país não conseguem responder à crescente procura, devido à falta de doadores e pouca qualidade do sémen disponível.

Num banco na província de Shaanxi, região oeste, por exemplo, apenas 100 em cada 1.000 candidatos a doadores passam nas análises preliminares, indicam dados recolhidos pela revista China Business View.

Como resultado, os casais inférteis têm de esperar entre um e dois anos para obter esperma doado, escreve a publicação.

E apesar dos incentivos financeiros - alguns hospitais oferecem até 5.000 yuan (perto de 680 euros), mais de três vezes o salário mínimo em Pequim, por 40 mililitros de sémen - muitos doadores optam pelo mercado 'negro', onde não são sujeitos a análises clínicas e podem ter sexo grátis, explica o diário The Beijing News.

O portal www.juanjing.net é um dos vários que promove o encontro entre casais e doadores.

Através daquela plataforma, homens - a maioria na casa dos 20 - exibem os seus atributos, como grau académico, profissão e até a longevidade dos avôs, visando provar a qualidade dos seus genes.

'Jerry Lee', 41 anos, por exemplo, "tem um coração puro", é doutorado numa universidade britânica, não fuma, bebe um copo de vinho "de vez em quando" e gosta de natação e correr ao ar livre.

O portal, no entanto, não garante a veracidade dos perfis nem exige qualquer tipo de certificação.

A imprensa chinesa cita médicos e advogados, alertando para os riscos de contrair doenças e para questões éticas, mas diz não existir ainda uma regulação legal que impeça este tipo de transação.

Apesar da China ter já mais residentes em áreas urbanas do que rurais, a família continua a ser fundamental na sociedade chinesa, com o casamento e ter filhos a constituírem quase um dever.

Um inquérito citado pela imprensa oficial revela, no entanto, que a percentagem de chineses inférteis aumentou de três por cento, em 1980, para 12,5% atualmente.

Lusa

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