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FLEC/FAC decreta cessar-fogo em Angola após morte de líder

A direção interina da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda - Forças Armadas de Cabinda (FLEC/FAC) decretou hoje unilateralmente um cessar-fogo de três meses, após a morte, de madrugada, do líder e cofundador do movimento Nzita Tiago.

Bandeira de Cabinda

Bandeira de Cabinda

"A luta continuará e nós decretamos um cessar-fogo por três meses", disse à agência Lusa por Jean-Claude Nzita, porta-voz do movimento independentista que luta pela secessão do enclave cabindês desde 1963, primeiro contra o regime colonial português (até 1975) e, depois, contra Luanda.

Jean-Claude Nzita disse, por outro lado, que a FLEC/FAC enviou, também hoje, um pedido às autoridades de Luanda para que aceite reabrir o processo de negociações, após quase uma década de ausência de diálogo.

Durante as tréguas unilaterais, acrescentou, a FLEC/FAC vai suspender todas as atividades militares em Cabinda - "os nossos combatentes já foram informados da decisão" -, e convocar uma reunião da direção do movimento, de forma a eleger novo presidente.

"África perdeu um grande combatente", afirmou Jean-Claude Nzita.

Nzita Tiago, 88 anos, nasceu a 14 de julho de 1927 em Mboma Lubinda, Cabinda, e morreu hoje de madrugada em Draveil, arredores de Paris, por razões que só a autópsia, a fazer em breve, determinará.

O funeral, indicou Jean Claude Nzita à Lusa, vai decorrer em breve em Paris, não estando previsto que, a menos que o regime do presidente angolano José Eduardo dos Santos aceite às pretensões da FLEC/FAC, o corpo do presidente do movimento seja trasladado para Cabinda.

"Em princípio, o funeral será em Paris. Não sei se poderá vir a ser trasladado para Cabinda (enclave angolano limitado a norte pela República do Congo e a leste e a sul pela República Democrática do Congo)", referiu.

"Cabinda está sob ocupação (angolana). Se libertarem Cabinda, então irá pensar-se nisso. Mas nunca sob ocupação angolana, pois (Nzita Tiago) passou toda a vida a combatê-la e nem sequer tem passaporte angolano. É cidadão gabonês", acrescentou, lembrando que o líder nunca aceitou o estatuto de refugiado angolano.

Lusa

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