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Talibãs ganham 17,6M€ por ano com exploração de minas no Afeganistão

Os talibãs e outros grupos armados ganham cerca 17,6 milhões de euros por ano através da exploração de minas de lápis-lazúli no Afeganistão, segundo um relatório hoje divulgado.

Os talibãs e outros grupos armados ganham cerca 17,6 milhões de euros por ano através da exploração de minas de lápis-lazúli no Afeganistão.

Os talibãs e outros grupos armados ganham cerca 17,6 milhões de euros por ano através da exploração de minas de lápis-lazúli no Afeganistão.

© Mohammad Ismail / Reuters

O documento, elaborado pela organização humanitária Global Witness, é o resultado de uma investigação de dois anos.

Segundo o relatório, a extração desta pedra semipreciosa é um dos principais catalisadores de "conflitos" naquele país.

"As minas na região rochosa de Badakhshan são um dos ativos mais valiosos dos afegãos, um tesouro nacional que deveria servir como um poderoso recurso para apoiar o desenvolvimento", assinalou a organização humanitária, com sede no Reino Unido.

O lápis-lazúli está a dar, no entanto, "milhões de dólares em financiamento a grupos armados, rebeldes e influentes", frisou a Global Witness, acrescentando que perante tal cenário estas minas "representam não só uma oportunidade perdida, mas uma ameaça para todo o país".

A organização indicou que existem dois líderes locais naquela região, ambos vinculados à política nacional e aos talibãs, que mantêm uma "competição violenta" para garantir o controlo destes recursos.

"Segundo estimativas aproximadas, mas plausíveis, as receitas que vão parar a estes líderes locais e aos talibãs apenas numa área reduzida de Badakhshan são comparáveis com a receita total declarada pelo governo para o setor dos recursos naturais no Afeganistão", indicou a mesma organização.

Na prática, os talibãs controlam "grande parte das receitas" procedentes da exploração das minas de lápis-lazúli, situação que "ilustra os perigos" que enfrenta aquele país, acrescentou a Global Witness.

O mesmo documento precisou que as reservas mineiras afegãs podiam gerar, em teoria, cerca de 1,7 mil milhões de euros por ano, recursos financeiros que deviam contribuir para o crescimento económico do país e para uma independência gradual face à ajuda externa.

Porém, estes recursos "estão a ter um propósito contrário" no Afeganistão e tornaram-se numa fonte de "conflitos e corrupção".

No relatório hoje publicado a organização humanitária lamentou ainda que a "urgência" de uma reforma do setor mineiro não esteja entre as prioridades do governo afegão, pedindo às autoridades de Cabul que considerem esta questão como um assunto "prioritário".

Lusa

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