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Urina para aquecer a água do duche ou para cozinhar

"Que quantidade de urina se perde ao longo dos anos?", questionou-se um dia Gabriel Luna-Sandoval. Nove anos mais tarde, no México, criou uma tecnologia que permite utilizar a urina para aquecer água, cozinhar ou mesmo facilitar as viagens espaciais.

Gabriel Luna-Sandoval mostra a cuba acrílica onde é guardada e transformada a urina.

Gabriel Luna-Sandoval mostra a cuba acrílica onde é guardada e transformada a urina.

Ao efetuar a eletrólise da urina, este cientista mexicano de 41 anos consegue separar as moléculas de hidrogénio e de oxigénio que constituem o líquido. O hidrogénio é então utilizado para produzir biogás.

O oxigénio resultante da eletrólise pode mesmo ser utilizado para respirar em caso de emergência, nomeadamente pelos astronautas nas longas viagens pelo espaço. Segundo o inventor, poderão levar consigo um pequeno reservatório com o qual poderão extrair o oxigénio da sua própria urina.

Mas para o cientista da Universidade de Sonora, o principal objetivo da sua invenção é o de conseguir uma alternativa ecológica ao gás de petróleo liquefeito (GPL), que contribui para o aquecimento global, polui as ruas e mesmo o interior das casas.

"Que quantidade de urina se perde ao longo dos anos?", foi esta a questão que lançou Luna-Sandoval nesta busca. "Um adulto produz 1,4 litros de urina por dia", são 25550 litros em 50 anos.

O engenheiro mecânico inventou então um protótipo: uma pequena cuba acrílica com 20 centímetros quadrados equipada de elétrodos metálicos onde é guardada e transformada a urina.

Para aquecer a água para um duche de 15 minutos, são apenas necessários 13 a 21 mililitros deste "líquido vital", explica Luna-Sandoval. E para cozinhar uns feijões numa panela durante uma hora, de 70 a 130 mililitros.

Este biogás é inodoro. "Nem os feijões nem a água do duche" vão fazer lembrar a origem do combustível, garante o cientista a sorrir.

Mas para reduzir os odores provocados pela concentração de amoníaco ao longo dos dias dentro da cuba, "passamos a urina por um filtro especial", explica à agência France Press.

E o hidrogénio produzido no reservatório pode também ser utilizado para fazer funcionar motores de combustão interna. "Já fizemos experiências para fazer funcionar pequenos geradores de eletricidade", revela.

Para recolher a urina diretamente nas casas de banho, o inventor propõe a instalação de uma ligação por canos até um reservatório de transformação.

Esta tecnologia foi patenteada há cerca de um mês e, de acordo com Ulises Cano, membro do Sistema Nacional de Investigadores do México e perito em eletroquímica, esta invenção "não é descabida" e possui mesmo "viabilidade técnica. Resta saber se tem de facto"viabilidade económica".

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