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Oposição venezuelana diz que Conselho Eleitoral atrasa validação das assinaturas

A oposição da Venezuela acusa o Conselho Nacional Eleitoral de ter falhado o prazo para dizer quando começaria o processo de validação das assinaturas recolhidas com o objetivo de iniciar um referendo revocatório do presidente Nicolas Maduro.

© Ivan Alvarado / Reuters

A Mesa da Unidade Democrática (MUD) afirmou na noite de quarta-feira (madrugada de hoje em Lisboa) que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) venezuelano se tinha comprometido a dizer quantas das 1,8 milhões de assinaturas recolhidas passariam à fase seguinte do processo e quando poderia ter início o processo de validação das mesmas

Face à ausência de uma resposta oficial do CNE, o secretário da MUD, Jesús Torrealba, revelou uma informação que lhe foi prestada na véspera por Luis Emilio Rondón, o único dos cinco redatores do CNE que é próximo da oposição: entre os dias 15 e 22 de junho seria feita a validação de 1,3 milhões de assinaturas, as que foram formalmente verificadas entre o total recolhido.

De acordo com as regras impostas pelo CNE, cada uma das pessoas que assinou o pedido para a realização do referendo terá de comprovar, com a apresentação de uma impressão digital, a assinatura feita. Também tem de confirmar que apoia a MUD neste pedido de referendo.

"Após este processo de validação vem a convocatória para recolher a 'manifestação de vontade' de 20% do Registo Eleitoral, ou seja de aproximadamente quatro milhões de pessoas", acrescentou o porta-voz da MUD.

Também acusou a maioria dos membros do diretório do CNE de colocar sucessivos entraves a todo o processo.

"Estamos a lidar com trapaceiros, com um regime malandro", afirmou.

A oposição venezuelana tem o tempo contra ela. Os anti-chavistas exigem que a consulta se realize até 10 de janeiro de 2017, para que haja tempo de se convocar novas eleições. Caso contrário, Nicolas Maduro seria apenas substituído pelo seu vice-presidente.

Mesmo que as autoridades eleitorais validem as 200 mil assinaturas necessárias (de um total de 1,8 milhões recolhidas pela oposição) esse será apenas o primeiro passo de um longo processo rumo ao referendo.

Depois da confirmação das assinaturas, em pessoa e por impressão digital, o MUD deverá então reunir 20% do eleitorado venezuelano (quase quatro milhões de votos) para que o referendo se realize. Finalmente, para que Nicolas Maduro seja afastado da presidência, no referendo essa opção terá de obter mais votos do que este obteve nas eleições de 2013, ou seja, cerca de 7,5 milhões de votos.

As sondagens indicam que sete em cada dez venezuelanos querem o afastamento do presidente Maduro.

Os partidários do governo de Nicolas Maduro acusam a oposição de incluir nas assinaturas pró-referendo mais de dez mil nomes de pessoas que já morreram. A oposição acusa o Governo de bloquear e atrasar constantemente este processo.


Lusa

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