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Centenas de venezuelanos protestaram contra falta de alimentos junto a supermercado de portugueses

Centenas de venezuelanos manifestaram-se hoje contra falta de alimentos junto de uma sucursal da rede de supermercados Central Madeirense, propriedade de empresários portugueses radicados na Venezuela.

© Ivan Alvarado / Reuters

O protesto teve lugar no populoso bairro de Cátia, zona oeste de Caracas, com os cidadãos a reclamarem por terem de esperar um dia inteiro numa fila para conseguirem comprar "um quilograma de farinha por pessoa".

Apesar da forte presença de oficiais da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar), que tradicionalmente dificultam o trabalho da imprensa, várias pessoas queixaram-se aos jornalistas de que estavam chateados e de ânimos alterados e que os canais da televisão venezuelana tinham uma programação como se tudo estivesse "maravilhoso".

"Se a imprensa quer o bem de todos, tem que divulgar o que está mal. Estamos passando fome e isso é uma realidade. Aqui só os políticos e os 'enchufados' (com ligação ao regime) é que estão bem", disse um dos manifestantes à Vivo Play.

A população acusa o Governo venezuelano de ter reduzido os produtos das bolsas de alimentos que dá aos cidadãos, referindo que a última entrega foi de um quilograma de farinha de milho, um de arroz e uma garrafa de óleo "para 21 dias".

Fora de Caracas há também registos de protestos pela falta de alimentos e produtos básicos, em três localidades de Anaco, 500 quilómetros a sudeste da capital.

Gritando "temos fome, queremos comida" a população local interrompeu as principais ruas de Anaco, situação que levou vários comerciantes portugueses, e de outras nacionalidades, a encerrarem os seus estabelecimentos por recearem eventuais saques.

Segundo a doméstica Amarilis Figuera as pessoas cujo número do BI terminava em 8 e 9, fizeram fila no supermercado estatal Bicentenário desde a 01:00 da manhã e oito horas mais tarde "chegaram os trabalhadores e puseram um letreiro dizendo que não havia comida".

Por outro lado, Sandra Yánez explicou que "há quatro semanas" que não consegue comprar produtos básicos e que as autoridades locais tinham prometido vender-lhe 'combos' (kits) com vários alimentos quinzenalmente, que ainda não chegaram.

Os protestos registaram-se também em Tinaquillo, 215 quilómetros a sudoeste de Caracas, onde não chegaram as bolsas de produtos para a população mais carenciada.

A 50 quilómetros a oeste de Caracas, em Paracotos, os venezuelanos impediram, durante várias horas, a circulação pela Autoestrada Regional do Centro, que liga Caracas às cidades de Maracay e Valência, para exigir que as autoridades distribuam produtos básicos na zona.

Em Cabimas, 660 quilómetros a oeste da capital, oficiais da Guarda Nacional Bolivariana, reprimiram, com golpes de bastão, bombas de gás lacrimogéneo e tiros de borracha, uma manifestação de dezenas de pessoas que se queixavam de que não haviam produtos básicos nos supermercados estatais locais.

Cada vez são mais frequentes as queixas dos venezuelanos sobre dificuldades para conseguir, no mercado local, produtos básicos como o frango, carne, leite, óleo, arroz, feijão, farinha de milho, massa, fraldas e até papel higiénico.

Lusa

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