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Governo de coligação croata derrubado no parlamento após cinco meses no poder

O Governo croata dominado pelo partido nacionalista HDZ foi hoje derrubado no parlamento após cinco meses no poder, assinalados por uma forte polémica sobre a viragem à direita deste país membro da União Europeia (UE).

© Antonio Bronic / Reuters

"Infelizmente, e em vez de discutirmos as reformas" económicas exigidas pela UE "falamos desta moção de desconfiança contra mim", lamentou na abertura da sessão parlamentar o primeiro-ministro Tihomir Oreskovic, 50 anos, que apenas contava com o apoio do movimento de centro-direita Most (Ponte), parceiro menor da frágil coligação no poder.

Por 125 votos contra 15 e duas abstenções o efémero executivo anunciado após longas conversações entre a União Democrática Croata (HDZ) de Tomislav Karamarko, vencedora por maioria relativa das legislativas de novembro, e o Most de Bozo Petrov, uma estreia no parlamento, caiu ao fim de cinco meses.

O governo derrubado deixa uma herança turbulenta, assinalada pela exaltação de valores tradicionalistas, nacionalistas e católicos, e acusações de ter pretendido relativizar os crimes cometidos pelo regime 'ustasha' pró-nazi durante a II Guerra Mundial.

A nomeação para ministro da Cultura de Zlatko Hasanbegovic, um historiador acusado de "revisionismo" foi muito criticada no país e no exterior. Em abril, a minoria sérvia e a comunidade judaica bicotaram uma celebração em Jasenovac, o "Auschwitz croata", em protesto contra a "deriva direitista" e a tendência generalizada para relativizar os crimes do regime 'ustasha' de Ante Pavelic.

As fortes mobilizações populares das últimas semanas também contestaram o crescente controlo dos 'media' e do sistema educativo pelo governo, a eliminação de antigas conquistas sociais, como o direito das mulheres ao aborto, ou a crescente influência da Igreja católica na sociedade.

Oreskovic, um tecnocrata e homem de negócios croato-canadiano, não possuía experiência política quando foi escolhido para a chefia do Governo e tinha já perdido o apoio do HDZ, para além da oposição social-democrata que exigia o seu afastamento.

A demissão na quarta-feira do vice-primeiro-ministro Tomislav Karamarko, líder do HDZ, foi o golpe final nesta efémera experiência governativa. O dirigente conservador abandonou o cargo ao ser acusado de conflito de interesses, após a sua mulher Ana ter assinado um contrato com um consultor em apoio à companhia petrolífera húngara MOL, em conflito com o Estado croata.

A votação no parlamento também consuma a rutura entre o HDZ e o Most, enquanto os sociais-democratas do SDP, que perderam o último escrutínio após quatro anos no poder, aguardam por novas eleições, que segundo as sondagens são desejadas pela maioria da população. No entanto, os estudos não apontam para uma maioria clara de um só partido.

A Croácia encontra-se numa difícil situação económica, confrontada com um desemprego de mais de 15% e uma dívida pública que atinge 87% do PIB, com os inevitáveis reparos de Bruxelas.

O dirigente do HDZ, Zdravko Maric, foi mandato para a quase impossível tarefa de formar o próximo governo e evitar eleições antecipadas.

Lusa

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