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UE prolonga por mais 1 ano sanções contra Rússia pela anexação da Crimeia

A União Europeia anunciou hoje o prolongamento por mais um ano das sanções relacionadas com a anexação russa da Crimeia em 2014, que proíbem nomeadamente investimentos e importações para o mercado comunitário de produtos oriundos daquela península ucraniana.

Cartaz na cidade de Kerch na Crimeia onde se lê: "Crimeia. Rússia. Para sempre".

Cartaz na cidade de Kerch na Crimeia onde se lê: "Crimeia. Rússia. Para sempre".

REUTERS/Andrew Osborn

A prorrogação das sanções até 23 de junho de 2017 foi decidida num Conselho Europeu, que reúne representantes dos 28 Estados-membros da União Europeia (UE), e abrange também Sebastopol, um importante porto no sul da península autónoma da Crimeia também anexado pela Rússia em 2014, segundo indicou o Conselho, num comunicado.

"As medidas são aplicadas aos cidadãos da UE e às empresas estabelecidas na UE. São limitadas ao território da Crimeia e de Sebastopol", referiu o Conselho.

As sanções incidem nomeadamente "na importação de produtos oriundos da Crimeia ou de Sebastopol para a UE" e "nos investimentos na Crimeia ou em Sebastopol", acrescentou a mesma nota informativa.

A participar num fórum económico em São Petersburgo, a segunda maior cidade da Rússia, o Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou não ser "rancoroso" e propôs recuperar a confiança e a cooperação económica entre Moscovo e os parceiros europeus.

"Não somos rancorosos e estamos prontos para ir ao encontro dos nossos parceiros europeus", disse o líder do Kremlin (sede da Presidência russa).

"Mas, isso não pode acontecer só num único sentido. (...) Apesar de todos os problemas, a UE é um parceiro económico e comercial chave" para a Rússia, afirmou Putin, assinalando ainda que não foi Moscovo que começou com a política de sanções e de contra sanções.

O pacote de medidas aprovado pelos 28 também impede cidadãos do espaço comunitário ou empresas estabelecidas na UE de adquirirem imóveis ou de financiarem sociedades financeiras da Crimeia e de Sebastopol.

As sanções também abrangem os serviços relacionados com o turismo naqueles territórios. Por exemplo, os navios de cruzeiro europeus estão proibidos de fazer escalas nos portos da península da Crimeia, expecto em caso de emergência.

A exportação de certos bens e serviços tecnológicos para as empresas estabelecidas na Crimeia e para o mercado daquela república autónoma também fica comprometida.

A UE recordou recentemente que não reconhece "a anexação ilegal da Crimeia e de Sebastopol pela Federação Russa".

A 16 de março de 2014, a Crimeia realizou um referendo não reconhecido por Kiev (Ucrânia) nem pela comunidade internacional, no qual quase 97% dos votantes disse sim à reunificação com a Rússia.

Dois dias depois, a 18 de março, Moscovo consumou a anexação do território ucraniano, criando dois novos sujeitos membros da Federação da Rússia: a República da Crimeia e a cidade de Sebastopol.

O Presidente russo sempre defendeu que a Crimeia é um território historicamente russo que foi injustamente integrado na Ucrânia em 1954, quando ambos os países faziam parte da União Soviética.

Segundo vários diplomatas contactados pela agência noticiosa francesa AFP, os 28 Estados-membros da UE deverão anunciar em breve um prolongamento, por um período de seis meses, das sanções económicas aplicadas contra Moscovo por causa do conflito no leste da Ucrânia, que começou em abril de 2014.

Estas sanções económicas criaram um clima de tensão sem precedentes entre Bruxelas e Moscovo.

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