sicnot

Perfil

Mundo

Amnistia Internacional continua a exigir libertação dos ativistas em Angola

Um ano após a detenção dos ativistas angolanos, a Amnistia Internacional (AI) continua a exigir a libertação "imediata e incondicional" dos 17 jovens, considerando que todo o processo constitui "uma afronta à justiça e aos direitos humanos".

Ativistas angolanos, no Tribunal de Benfica, em Luanda.Novembro de 2015.

Ativistas angolanos, no Tribunal de Benfica, em Luanda.Novembro de 2015.

PAULO JULIÃO/LUSA

Em declarações à agência Lusa, Pedro Neto, presidente da secção portuguesa da AI, considerou que os 17 ativistas angolanos "não estavam a fazer nada de mal", razão pela qual todo o processo que decorreu desde então "não faz qualquer sentido".

"Imediata e incondicional. Porque não estavam a fazer nada de mal. Todo este processo de condenação foi uma afronta à Justiça, não faz qualquer sentido a prisão destas 17 pessoas. O que defendemos é que sejam libertados imediatamente, o mais rápido possível, para que se possa repor, de algum modo, a justiça das coisas", disse.

A 20 de junho de 2015, uma operação do Serviço de Investigação Criminal (SIC) fez em Luanda as primeiras detenções deste processo, que mais tarde ficaria conhecido como "15+2", em alusão aos 15 ativistas que ficaram meio ano em prisão preventiva e duas jovens que aguardaram o julgamento em liberdade, constituídas arguidas em setembro.

Todos foram condenados por rebelião e associação de malfeitores e encontram-se atualmente a cumprir penas de prisão efetiva.

Para Pedro Neto, um ano na prisão é "demasiado tempo", sobretudo porque, sustentou, os jovens ativistas "estavam a ler um livro ("Da Ditadura à Democracia", de Gene Sharp), facto que "não é razão para terem sido presos, julgados e muito menos condenados".

"Todo este processo foi uma afronta à Justiça. Tudo o que é direito de reunião, de conversa e de opinião devia ser possível fazê-lo com tranquilidade e sossego em Angola e em qualquer outra parte do mundo, porque, assim, fica difícil considerarmos que Angola possa ser uma democracia. Parece uma ditadura, em que ninguém tem liberdade para pensar, conversar, falar e questionar ou a fazer perguntas", argumentou.

Nas declarações à Lusa, Pedro Neto apelou também "a todas as pessoas que, de algum modo se sintam sensibilizadas por esta situação", assinem não só a petição da Amnistia Internacional já enviada às autoridades angolanas, mas também que participem numa manifestação no Rossio, em Lisboa (marcada para as 19:00), para protestar "silenciosa e pacificamente" contra a manutenção da detenção dos ativistas angolanos.

"Queremos poder fazer aqui (em Lisboa) aquilo que (os jovens ativistas) não puderam fazer há um ano", salientou Pedro Neto, realçando a ironia de a Amnistia Internacional ter enviado uma petição a exigir justiça e respeito pelos direitos humanos ao Ministério da Justiça e Direitos Humanos de Angola.

Questionado pela Lusa sobre se acredita que os 17 ativistas poderão ser libertados antes de cumprirem a totalidade de cada uma das penas, Pedro Neto disse acreditar apenas no "bom senso das pessoas".

"O sinal da libertação de Marcos Mavungo (ativista de Cabinda libertado a 20 maio último) foi um bom gesto. A libertação destas 17 pessoas seria um excelente sinal da justiça e das autoridades angolanas em favor de um país melhor", concluiu.

Lusa

  • "Às vezes o senhor primeiro-ministro irrita-me um bocadinho"
    2:05

    País

    O Presidente da República disse esta quinta-feira de manhã que António Costa é "irritantemente otimista" por teimar em "ver violeta-rosa onde há roxo". Marcelo Rebelo de Sousa recordou ainda Mário Soares numa aula no Colégio Moderno, em Lisboa.

  • Montenegro nunca será candidato contra Passos
    0:50
  • Cientistas testam útero artificial em cordeiros prematuros

    Mundo

    Um grupo de cientistas desenvolveu um útero artificial - o Biobag - que se assemelha a uma bolsa de plástico e que ajuda no desenvolvimento de cordeiros prematuros. O método foi testado nestes animais mas os cientistas do Hospital Pediátrico de Filadélfia, nos Estados Unidos, garantem que poderá vir a ser utilizado também em bebés que nascem prematuros.

  • Exame ao sangue descobre cancro um ano antes do reaparecimento

    Mundo

    Uma equipa de investigadores britânicos descobriu uma maneira de identificar o regresso do cancro, com um ano de antecedência. Através de um exame ao sangue, a equipa conseguiu identificar os primeiros sinais da doença, uma série de células invisíveis ao raio-X e à TAC. A descoberta pode vir a permitir tratar o cancro mais cedo e, como resultado, poderá aumentar as chances de o curar.

  • Casados há 69 anos, morrem de mãos dadas com 40 minutos de diferença

    Mundo

    Isaac Vatkin, de 91 anos, morreu cerca de 40 minutos depois de Teresa, de 89 anos, no passado sábado no Highland Park Hospital, no estado norte-americano Ilinóis. "Não queríamos que fossem embora, mas não podíamos pedir que partíssem de melhor maneira", afirmou o neto William Vatkin. O casal morreu no hospital poucos dias depois de celebrarem 69 anos de casados.

  • Trump cria linha de apoio a vítimas de "extraterrestres criminosos"

    Mundo

    Quando o Governo norte-americano usa o termo "extraterrestre criminoso", refere-se a alguém que não é cidadão dos Estados Unidos da América e que foi condenado por um crime. Quando a mesma expressão é usada pelos utilizadores do Twitter, o significado é completamente diferente. Os internautas pensam na série Ficheiros Secretos e em discos voadores. Por isso, o lançamento de uma linha telefónica, por parte da Casa Branca, para as vítimas de "extraterrestres criminosos" só podia dar em confusão.