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Parlamento da Croácia aprova dissolução da assembleia

O parlamento da Croácia aprovou hoje a dissolução da assembleia, após a queda do governo conservador de coligação em funções desde janeiro, abrindo caminho para a realização de eleições antecipadas naquele país durante o verão.

© Antonio Bronic / Reuters

"Com uma maioria dos votos, o parlamento decidiu a sua dissolução, que será efetiva a 15 de julho", declarou o presidente da assembleia, Zeljko Reiner. O processo de dissolução foi aprovado com os votos favoráveis de 137 deputados, dois votos contra e uma abstenção.

As eleições antecipadas devem ser organizadas entre um a dois meses depois do dia 15 de julho, sendo expectável que o ato eleitoral decorra antes de meados de setembro.

Este escrutínio irá acontecer menos de um ano depois das anteriores eleições, conquistadas, por uma maioria relativa, pelo partido nacionalista União Democrática Croata (HDZ) de Tomislav Karamarko.

Após difíceis negociações, os nacionalistas do HDZ conseguiram formar uma coligação governamental com o movimento de centro-direita Most (Ponte).

Tihomir Oreskovic, um empresário e tecnocrata croato-canadiano, que não possuía qualquer experiência política, foi o escolhido para a chefia do Governo.

Mas as relações entre os dois parceiros de coligação, HDZ e Most, começaram a deteriorar-se rapidamente e ainda ficaram mais danificadas com um caso político-financeiro que envolveu o líder do HDZ e vice-primeiro-ministro Tomislav Karamarko.

O dirigente conservador decidiu na passada quarta-feira abandonar o cargo ao ser acusado de conflito de interesses, após a sua mulher ter assinado um contrato com um consultor em apoio à companhia petrolífera húngara MOL, em conflito com o Estado croata.

A demissão de Tomislav Karamarko acabou por acelerar a queda do governo conservador, confirmada um dia depois pelo parlamento croata.

Em cerca de cinco meses em funções, o governo liderado por Tihomir Oreskovic deixa uma herança turbulenta, assinalada pela exaltação de valores tradicionalistas, nacionalistas e católicos, e acusações de ter pretendido relativizar os crimes cometidos pelo regime 'ustasha' (croata) pró-nazi durante a II Guerra Mundial.

Nas últimas semanas, fortes mobilizações populares também contestaram nas ruas croatas o crescente controlo dos 'media' e do sistema educativo pelo governo, a eliminação de antigas conquistas sociais, como o direito das mulheres ao aborto, ou a crescente influência da Igreja católica na sociedade.

A Croácia, o mais recente membro da União Europeia, encontra-se numa difícil situação económica, marcada por uma taxa de desemprego superior a 15% e uma dívida pública que atinge 87% do PIB, e confrontada pelas inevitáveis exigências de Bruxelas para a aplicação de importantes reformas económicas.

Segundo o Eurasia Group, um grupo de análise de riscos, a realização de eleições antecipadas na Croácia não fornece garantias de que exista, no futuro, um governo apoiado numa maioria sólida.

"As eleições antecipadas surgem como improváveis de oferecer uma clara maioria a um único partido, o que irá tornar 2016 um ano completamente desperdiçado para uma reforma fiscal, caso seja necessária", escreveram os analistas, pouco antes da queda do governo de Oreskovic.


Lusa

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