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Coreia do Norte ameaça não libertar mais presos norte-americanos

A Coreia do Norte ameaçou manter encarcerados para sempre dois norte-americanos detidos no país, caso o missionário cristão Kenneth Bae, libertado em 2014, continue a criticar publicamente o regime de Kim Jong-un.

© KCNA KCNA / Reuters

O Governo de Pyongyang "não manterá nenhum compromisso ou negociação com os Estados Unidos sobre o tema dos criminosos norte-americanos, nem tomará qualquer medida humanitária se Bae Ho Jun [nome coreano de Kenneth Bae] continuar a balbuciar calúnias contra a RPDC [Coreia do Norte]", indicou hoje a agência KCNA.

"Deste modo, os criminosos norte-americanos que hoje se encontram detidos na RPDC nunca poderão voltar aos Estados Unidos", escreveu a agência norte-coreana.

O regime de Kim Jong-un sublinha que "a clarificação desta posição não é uma simples advertência" e acusou o Governo dos Estados Unidos da América de estarem por detrás da campanha de "falsa propaganda" contra a Coreia do Norte, levada a cabo por Kenneth Bae desde a sua libertação.

Base, que foi libertado em novembro de 2014 após cumprir dois dos 15 anos da sua sentença por alegadamente promover o cristianismo na Coreia do Norte, publicou recentemente um livro sobre a sua experiência como recluso no país comunista e criticou em várias ocasiões os abusos de direitos humanos do regime.

A Coreia do Norte insiste que "tudo foi dado a Bae durante a vida na prisão, do ponto de vista humanitário", acusando o missionário de ser mal-agradecido e apelidando-o de "Judas".

Por seu lado, o Governo dos Estados Unidos reagiu ao novo ultimato da Coreia do Norte com um comunicado em que defendeu a "liberdade de expressão" de Kenneth Bae para criticar o regime de Kim.

Washington pediu também a Pyongyang que "conceda uma amnistia especial e liberte imediatamente, por motivos humanitários", os norte-americanos que continuam detidos na Coreia do Norte.

Um deles é Otto Frederick Warmbier, estudante de 21 anos da Universidade da Virgínia, condenado em março a 15 anos de trabalhos forçados por tentar roubar um cartaz de propaganda política no seu hotel em Pyongyang.

O outro é Kim Dong-chul, norte-americano de origem coreana, de 62 anos, condenado a dez anos de trabalhos forçados por alegadamente ter organizado "um plano de espionagem subversivo" para "derrubar o sistema social" da Coreia do Norte.

Lusa

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