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Dois milhões de moçambicanos precisam de ajuda alimentar devido à seca

Quase dois milhões de moçambicanos, cinco vezes mais do que no ano passado, precisam atualmente de ajuda alimentar devido à seca, disseram fontes das agências humanitárias.

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© Reinhard Krause / Reuters

"Por causa da seca, a estimativa de pessoas em insegurança alimentar [em Moçambique] está perto de dois milhões, depois de no ano passado ter sido de 375 mil", disse à Lusa o economista Jonathan Pound, da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), em Roma.

Moçambique está entre os países mais afetados pela seca provocada pelo fenómeno El Niño, que até agora deixou mais de 40 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar na África Austral.

Segundo a mais recente avaliação da segurança alimentar no país, realizada em março, 1,98 milhões de pessoas em Moçambique precisam de ajuda urgente para proteger os seus meios de subsistência e mitigar a falta de alimentos.

O relatório da Classificação Integrada das Fases de Segurança Alimentar (IPC), a que a Lusa teve acesso, revela que as províncias de Gaza (com 45% da população a precisar de ajuda), Manica e Tete (40%), assim como Inhambane e Sofala (30%) são as mais afetadas.

Nestas províncias, apenas metade das famílias consome mais do que uma refeição por dia e 40 a 58% têm dietas pobres.

Menos de 5% têm reservas de alimentos e apenas 10 a 35% ainda espera colher alguma coisa das suas culturas.

O representante da FAO em Lisboa, Hélder Muteia, disse à Lusa que embora a principal campanha agrícola já tenha terminado, ocorrem em julho as colheitas da campanha intermédia, o que poderá aliviar a crise alimentar.

No entanto, as organizações internacionais estimam que o pico da crise alimentar ocorra entre novembro deste ano e abril de 2017, porque nessa altura já terá sido consumido o resultado da campanha intermédia e ainda não haverá produção da campanha principal, que começa a dar frutos em abril.

Por outro lado, para o próximo ano prevê-se um episódio do fenómeno La Niña, que tem o efeito oposto ao do El Niño, ou seja, chuvas mais intensas na região da África Austral.

O resultado pode ser positivo, se ajudar a aumentar a produção agrícola, mas comporta o risco de cheias, o que agravaria a situação humanitária.

"Seria dramático, após dois anos de seca. Sabemos que as condições das pessoas que estão a sofer a seca seria ainda pior se tivéssemos essas chuvas abundantes no final do ano", disse à Lusa Renaud Leray, responsável pela operação da Oxfam em Molambique.

"Moçambique é um país que ora é afetado pela seca, ora pelas cheias, muitas vezes por ciclones, por isso é difícil escapar aos desastres naturais. Em cada ano, um deles afeta Moçambique", lamentou o representante do Programa Alimentar Mundial (PAM) no país, Abdoulaye Balde.

Segundo este responsável, o PAM comprometeu-se este ano a ajudar as 750 mil pessoas mais vulneráveis, das que precisam de ajuda alimentar em Moçambique.

Para garantir ajuda humanitária a estas pessoas até abril de 2017, a organização pediu 80 milhões de dólares, mas até agora só recebeu ofertas no valor de 20 a 25 milhões de dólares.

"Cerca de um quarto do que precisamos está prometido, nem sequer está dado", alertou.

Considerando que em julho será feita uma nova avaliação das necessidades no terreno e que o PAM estima que a situação se agrave, Balde mostrou-se "muito preocupado com o futuro".

Também Leray se mostrou pouco otimista, admitindo que a ajuda internacional nunca conseguirá cobrir as necessidades.

"A escala da emergência é tão grande que não podemos esperar que os doadores financiem uma resposta abrangente que cubra todas as necessidades", disse o representante da Oxfam, que apoia atualmente 175 mil pessoas com ajuda alimentar, água e saneamento e tratamentos para a malnutrição.

Embora o PAM e a Oxfam não sejam as únicas instituições a combater a fome no país -- a FAO, a Unicef ou a USAID são outras organizações envolvidas no programa de resposta moçambicana ao El Niño -- Balde alertou para as dificuldades.

"Estamos a antecipar um período muito difícil e o Governo perdeu grande parte das suas fontes de recursos, por muitos motivos, incluindo a queda dos preços das 'commodities'", como o carvão ou o gás, ou a queda do valor da moeda.

Balde alertou ainda para as consequências da suspensão do programa do FMI e da ajuda do grupo de doadores ao país, na sequência da crise da dívida escondida.

"Estavam prestes a desembolsar 300 milhões de dólares ao Governo, mas agora suspenderam o donativo. É muito dinheiro para se suspender (...). Independentemente do que se passa com o governo, o povo não deveria sofrer as consequências", alertou.

Lusa

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