sicnot

Perfil

Mundo

Marcha contra a lei laboral francesa junta 14 mil manifestantes em Paris

Catorze mil pessoas, segundo a polícia, e 55.000, segundo os sindicatos, participaram hoje em Paris numa marcha contra as alterações do Governo socialista francês à lei laboral, em que a polícia lançou gás lacrimogéneo sobre manifestantes que atiravam pedras.

IAN LANGSDON

A polícia deteve 38 pessoas, 27 das quais antes do protesto e que foram impedidas de nele participar por transportarem potenciais armas de arremesso.

Horas após a tensa marcha realizada sob um forte dispositivo de segurança, e uma greve que encerrou a torre Eiffel, o Senado francês, dominado pela direita, aprovou a sua versão das altamente contestadas reformas destinadas a travar o desemprego liberalizando o mercado de trabalho.

Sete sindicatos apresentaram hoje aquilo que designaram como resultados parciais de uma sondagem pública sobre o projeto de lei, em que 92% dos 700.000 inquiridos se manifestaram pela sua retirada.

O Presidente francês, François Hollande, disse na semana passada que o seu Governo iria "até ao fim" para aplicar as reformas, que são encaradas pelos críticos como demasiado pró-empresariais e uma ameaça aos direitos dos trabalhadores.

"É essencial não só permitir que as empresas possam contratar mais", mas aumentar a formação que levará a mais emprego, defendeu.

O primeiro-ministro, Manuel Valls, vai reunir-se com líderes sindicais na quarta e na quinta-feira, mas já indicou que não está aberto a mais alterações ao texto que já foi "atenuado".

Valls, que tem sido alvo de críticas devido à sua posição inflexível quanto às reformas laborais, cedeu pouco ao concordar com a realização das reuniões.

O gabinete do primeiro-ministro disse que sindicalistas e chefe do executivo iriam "rever" a situação, mas "não se trata de reabrir um ciclo de negociações".

Philippe Martinez, secretário-geral do sindicato radical CGT, disse esperar que o encontro não seja uma mera "visita de cortesia apenas para tomarem um café".

Os sindicatos sustentam que o principal ponto de atrito é uma medida que dá prioridade a acordos negociados entre as empresas e seus funcionários sobre acordos alcançados com os sindicatos em setores industriais inteiros -- nomeadamente em matéria de número de horas de trabalho.

Os dois lados não se encontram desde o início de março, embora Valls tenha telefonado aos líderes sindicais a 28 de maio.

A marcha de hoje à tarde é o 11.º protesto contra a reforma laboral desde 09 de março, muitos dos quais desembocaram em violência, com feridos e detenções.

Lusa

  • Manifestações contra reforma da lei laboral em França terminam com 26 feridos
    0:43

    Mundo

    Pelo menos 26 pessoas ficaram feridas e quinze foram detidas em Paris, durante uma manifestação contra a reforma da lei do trabalho. As mudanças estão em fase de debate e o protesto foi organizado por vários sindicatos e por organizações de estudantes que dizem que as alterações vão levar à perda de direitos dos trabalhadores. Na Praça dos Inválidos, na capital francesa, os confrontos com a polícia. As autoridades responderam com gás lacrimógeneo. As greves de hoje fecharam a Torre Eiffel e interromperam ligações de transportes, numa altura em que milhares de adeptos estão em trânsito, em França, para assistir aos jogos do Euro 2016. Os protestos estenderam-se a outras cidades do país. O correspondente do Expresso em Paris, Daniel Ribeiro, relatou, por telefone, o que se passa por esta altura nas ruas de França.

  • PSD e CDS assinalam 36º aniversário da morte de Francisco Sá Carneiro
    1:38

    País

    O presidente do PSD deixou críticas ao Partido Comunista, este domingo, a propósito do aniversário da morte de Francisco Sá Carneiro. Pedro Passos Coelho lembrou os festejos dos comunistas na altura, numa resposta a quem questionou a abstenção dos sociais-democratas ao voto de pesar a Fidel Castro, que o PCP levou ao Parlamento. Este domingo, tanto o PSD como o CDS-PP prestaram homenagem a Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa.