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Rajoy quer governar nem que seja minoria com pactos pontuais

O líder do partido mais votado em Espanha, Mariano Rajoy, vai tentar formar um governo estável e "para quatro anos", sem afastar a possibilidade de governar em minoria e "com pactos pontuais".

reuters

O presidente do governo de gestão prefere um governo "com sólido apoio governamental", como insistiu várias vezes na segunda-feira, e para isso deverá começar por se reunir com o líder do segundo partido mais votado, PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), Pedro Sánchez, quando regressar a Madrid na quinta-feira, depois de participar na reunião da União Europeia sobre a decisão do Reino Unido de abandonar a União Europeia.

"Não vamos abdicar da responsabilidade de governar e eu não vou renunciar a governar porque há oito milhões de que nos aopiaram. Gostaria de governar com um apoio suficiente, mas se não for possível, governaremos com os apoios que nos deram os espanhóis e, suponho, com alguns pactos pontuais", disse Rajoy na segunda-feira, depois de o comité executivo do PP ter analisado o resultado das eleições de 26 de junho.

Contra as expetativas iniciais, o PP (Partido Popular, de direita) foi o único partido a ganhar votos e lugares no parlamento nas eleições realizadas domingo, em que os eleitores parecem ter decidido regressar aos partidos tradicionais (PP e PSOE) e penalizar as novas formações em ascensão até dezembro passado (a aliança de extrema esquerda Unidos Podemos e os liberais do centro Ciudadanos).

O PP, de Mariano Rajoy, foi o mais votado nas eleições de domingo, com 137 deputados, mais 14 que nas legislativas de dezembro, mas longe dos 176 mandatos que dão a maioria absoluta no congresso espanhol.

O PSOE, de Pedro Sanchez, ficou em segundo lugar, com 85 lugares (90 em dezembro), enquanto a aliança de esquerda Unidos Podemos, que as sondagens colocavam em segundo lugar, ficou em terceiro e elegeu 71 deputados, com o Ciudadanos a conseguir 32 assentos.

Apenas uma coligação do PP com o PSOE conseguirá reunir os lugares suficientes para que Espanha possa ter um governo de maioria, na sequência das eleições de domingo.

"Estendo a minha mão aos partidos moderados", disse segunda-feira Mariano Rajoy a pensar no PSOE e no Ciudadanos, mas ao mesmo tempo avisava que está "aberto a todas as fórmulas" e insistia que não irá "abdicar de governar, porque tem o apoio dos espanhóis".

Para o presidente do governo de gestão, pensar na possibilidade de se voltarem a realizar eleições, as terceiras, para sair do impasse criado pela consulta de dezembro seria "irresponsável", um cenário que todos os outros dirigentes partidários também afastam.

Rajoy já indicou que preferia liderar uma grande coligação com o PSOE e começará por falar com Pedro Sánchez, mas ao contrário do que aconteceu em dezembro, as suas opções são agora mais amplas.

O chefe do governo de gestão acredita que o Ciudadanos, de Albert Rivera, poderá ainda levantar a oposição que tem a uma coligação com o PP liderada por Mariano Rajoy ao qual se poderiam ainda juntar outros partidos nacionalistas moderados: Partido Nacionalista Basco e Coligação Canária.

Esta aliança de partidos do centro e centro-direita conseguiria chegar aos 175 lugares de um total de 350, e ficaria a um lugar da maioria desejada no Congresso dos Deputados, cujos membros tomam posse a 19 de julho.

Poucos dias depois da constituição das duas câmaras, mas sem prazo definido, o rei de Espanha, Filipe VI iniciará as consultas com os partidos para, em seguida, fazer uma proposta de candidato a assumir a presidência do governo.

A visita a Espanha do presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, irá apanhar os principais dirigentes políticos do país em pleno período de negociações para formação do governo.

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