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Gritou-se liberdade à saída da cadeia dos ativistas em Luanda

Ao grito de liberdade e a pé foi como o grupo de 11 ativistas angolanos, condenados em março por atos preparatórios para uma rebelião e associação de malfeitores, deixou hoje o Hospital-Prisão de São Paulo.

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Após quatro longas horas de espera dos familiares, amigos e um grande número de jornalistas, os ativistas saíram acompanhados dos advogados, ao som de efusivas salvas de palmas e gritos de liberdade.

A caminhar, mesmo tendo à sua espera viaturas, o grupo rumou para a União dos Escritores Angolanos, passando pelo Largo da Independência, local simbólico para a sua luta contestatária ao regime angolano, para lembrar que "ler não é crime".

O grupo de 17 ativistas angolanos, condenados em março a penas de prisão entre os dois anos e oito anos e seis meses, foi detido a 20 de junho, quando se encontravam reunidos a debater política com base num livro do professor universitário Domingos da Cruz, considerado pelo tribunal o líder dos jovens e por isso condenado a maior pena.

Em breves palavras à imprensa, emocionado, o luso-angolano Luaty Beirão disse apenas que está feliz, sublinhando, entretanto, que a situação "é temporária".

Não menos emocionado, Nelson Dibango começou por dizer que estava envolto num "turbilhão de emoções", que era difícil ser descrito no momento.

"Deu para escrever bwe (muito), deu para fazer coisas que não teria feito se não tivesse preso, deu para me interiorizar muito", disse Nelson Dibango, criticando a demora do tribunal para a ordem de soltura.

Já Benedito Jeremias mostrou-se determinado a seguir os seus ideais, mesmo depois do que passou.

"Nós vamos continuar a resistir ao sistema, mas dentro dos parâmetros legais, a resistência à opressão é um direito natural de todo o povo oprimido. Nós não podemos aceitar que a vontade de (Presidente angolano José) Eduardo dos Santos continue a prevalecer nesse país, o país é dos angolanos e de quem luta por ele (...) ou seja, a nossa causa é de justiça, que vamos continuar a defender", disse Benedito Jeremias, visivelmente emocionado.

No Hospital-Prisão de São Paulo estavam pelo menos 12 ativistas, enquanto os restantes estão distribuídos pelas cadeias de Viana e de Caquila, arredores de Luanda, e que também saíram hoje por decisão do Supremo.

O ativista Nito Alves, um dos 17 condenados e o mais novo do grupo, vai permanecer na cadeia até agosto por estar a cumprir uma outra pena, não abrangida pelo 'habeas corpus', por ofensas ao tribunal durante o julgamento.

Aquando da condenação pela 14.ª Secção do Tribunal Provincial de Luanda, no Benfica, a penas de prisão entre os 02 anos e 03 meses e os 08 anos e meio, duas jovens estavam em liberdade, outros dois estavam na cadeia e os restantes em prisão domiciliária.

A 28 de março, logo após a leitura da sentença, começaram todos a cumprir pena por decisão do tribunal, apesar dos recursos interpostos pelos advogados de defesa para o Supremo e para o Constitucional, o que logo a 1 de abril motivou a apresentação do 'habeas corpus', agora decidido e comunicado à defesa dos jovens, críticos do regime liderado por José Eduardo dos Santos.

Lusa

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