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Principais conclusões do inquérito ao envolvimento britânico na Guerra do Iraque

O relatório Chilcot sobre o envolvimento do Reino Unido na Guerra do Iraque de 2003, publicado hoje, critica o então primeiro-ministro Tony Blair por implicar o país num conflito mal planeado, mal executado e legalmente questionável.

© POOL New / Reuters

As principais conclusões da investigação dirigida ao longo de sete anos por John Chilcot são as seguintes:

- O Reino Unido "escolheu juntar-se à invasão do Iraque antes de esgotar as opções pacíficas para um desarmamento. A ação militar não era, na altura, o último recurso".

- Em 2003, não havia uma ameaça iminente de Saddam Hussein. Uma "estratégia de contenção podia ser seguida durante algum tempo".

- Oito meses antes da invasão, a 28 de julho de 2002, Blair escreveu ao Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para o assegurar de que estaria com ele "aconteça o que acontecer".

- Em nenhum momento, Blair "insistiu com o Presidente Bush para ter garantias sólidas sobre os planos norte-americanos".

- Nessa fase, Blair envolveu o país numa atividade diplomática tal que teria sido "muito difícil" recuar no apoio aos Estados Unidos.

- "É hoje claro que a estratégia no Iraque se baseou em informações e estimativas deficientes que não foram questionadas como deviam ter sido".

- "As conclusões sobre a gravidade da ameaça colocada por armas de destruição maciça do Iraque foram apresentadas com uma certeza que não era justificada".

- Os responsáveis dos serviços de informações britânicos "deviam ter indicado claramente que as informações não determinaram sem margem para dúvidas que o Iraque continuava a produzir armas químicas e biológicas ou que prosseguia esforços para produzir armas nucleares".

- Sobre o relatório dos serviços secretos britânicos de setembro de 2002 que afirmava que o Iraque dispunha de armas de destruição maciça que podiam ser acionadas em 45 minutos, o relatório Chilcot diz "não haver provas de que as informações tenham sido inseridas de modo inapropriado no processo ou que [o gabinete do primeiro-ministro] tenha influenciado o texto de maneira inconveniente".

- Na fase pós-invasão, "o governo falhou na avaliação da amplitude dos esforços necessários para estabilizar, administrar e reconstruir o Iraque e as responsabilidades que incumbiam ao Reino Unido".

- "O governo não estava preparado para o papel em que o Reino Unido se viu a partir de abril de 2003. A maior parte do que correu mal a partir daí tem origem nessa falta de preparação".

- "Apesar das advertências, as consequências da invasão foram subestimadas".

- Os recursos militares empenhados foram insuficientes e inadaptados. O Ministério da Defesa "mostrou-se lento a responder à ameaça representada pelos engenhos explosivos improvisados e os atrasos registados no fornecimento de veículos de patrulha blindados adequados não deviam ter sido tolerados".

Mais de 150.000 iraquianos morreram entre 2003 e 2009, ano em que o Reino Unido retirou o grosso das duas tropas do Iraque. No mesmo período, 179 soldados britânicos morreram.

Cerca de 120.000 soldados britânicos serviram no Iraque durante o conflito que pôs fim ao regime de Saddam Hussein. As tropas de combate retiraram em julho de 2009 e as últimas forças, de treino e aconselhamento, partiram em maio de 2011.

Enquanto John Chilcot apresentava publicamente as conclusões da investigação, que levou sete anos a ser concluída, mais de 100 manifestantes pacifistas protestavam junto ao local onde decorreu a conferência de imprensa.

Lusa

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