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Austrália defende apoio à guerra do Iraque em 2003

A ministra dos Negócios Estrangeiros australiana, Julie Bishop, defendeu hoje a participação do seu país na Guerra do Iraque em 2003, após a divulgação de um relatório britânico que questiona os motivos do conflito.

© Max Rossi / Reuters

Bishop disse aos meios de comunicação social australianos que a decisão foi tomada com base na informação disponível e lembrou que foi apoiada por diversos setores políticos.

As declarações da ministra surgem depois da revelação na quarta-feira do relatório de uma comissão britânica que refere que a invasão do Iraque, sob o argumento da existência de armas de destruição massiva, avançou com provas dos serviços secretos "não justificadas" e sem ter sido esgotada a opção pacífica.

Questionada sobre se John Howard, então primeiro-ministro da Austrália, deveria pedir desculpas ao povo australiano pela decisão, Bishop disse que essa é uma decisão pessoal, mas recordou que contou com o apoio da oposição trabalhista.

"Recordo bem que então Kevin Rudd [que era o porta-voz dos Assuntos Externos dos trabalhistas] instou-nos a manter o nosso apoio aos Estados Unidos. Foi uma posição bipartida em relação ao Iraque", disse Bishop, em declarações citadas pela agência local AAP.

A 18 de março de 2003, o então Presidente dos EUA, George W. Bush, pediu formalmente a Howard para participar numa intervenção militar no Iraque, que se materializou com o envio de cerca de 2.000 soldados.

O relatório da comissão Chilcot critica duramente as decisões tomadas pelo ex-primeiro-ministro trabalhista britânico, Tony Blair, em relação à guerra do Iraque, na qual morreram 179 soldados britânicos e dezenas de milhares de iraquianos.

A alegada posse pelo regime iraquiano de armas de destruição maciça, nunca comprovada, foi a principal justificação para a participação do Reino Unido na invasão do Iraque, em março de 2003, quando Tony Blair liderava o governo britânico.

Chilcot, cuja comissão foi criada há sete anos para apurar os contornos do envolvimento britânico no conflito, concluiu que "o Reino Unido escolheu juntar-se à invasão do Iraque antes de esgotar as opções pacíficas para um desarmamento".

"A ação militar não era, na altura, o último recurso", disse o presidente da comissão, John Chilcot.

Tony Blair reagiu ao relatório, manifestando "pena, arrependimento e culpa". Afirmou, no entanto, que não enganou o Parlamento nem lamenta o afastamento do antigo líder iraquiano Saddam Hussein.

"Sinto mais pena, arrependimento e culpa do que poderão alguma vez saber ou acreditar", afirmou.

No entanto, acrescentou, "como o relatório deixa claro, não houve inverdades, o Parlamento e o Governo não foram enganados, não houve um compromisso secreto com a [decisão de] guerra".

Com uma longa carreira como diplomata, depois de ter sido conselheiro dos serviços secretos do Reino Unido, John Chilcot, de 77 anos, foi o nome escolhido para liderar e organizar uma comissão que tinha a missão de avaliar o papel britânico na guerra do Iraque, desde o início da invasão em março de 2003 até à retirada das tropas britânicas, em maio de 2009.

O inquérito foi anunciado em junho de 2009 pelo então primeiro-ministro, Gordon Brown (2007-2010), também um trabalhista.

Lusa

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