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NATO diz estar "unida" em política de dissuasão face a Moscovo

Os líderes da NATO uniram-se hoje numa política de dissuasão e diálogo com a Rússia após terem efetuado as maiores movimentações militares desde o fim da guerra fria com o regime de Moscovo.

© Jonathan Ernst / Reuters

O secretário-geral Jens Stoltenberg afirmou na reunião de Varsóvia que os países membros da NATO "mantêm-se unidos" e focalizados na Rússia, após a anexação da Crimeia pelos russos e o conflito na Ucrânia.

O presidente russo, Vladimir Putin, opôs-se à decisão da NATO de colocar quatro batalhões na Polónia e nos Estados bálticos, considerando que tais intenções uma ameaça à segurança.

"A Aliança Atlântica está unida, mantemo-nos juntos", disse Stolberg, quando questionado sobre as conversações dos 28 líderes dos países da NATO com a Rússia na sexta-feira à noite e reiterando que defesa e diálogo são a base de tudo.

Stoltenberg anunciou esta semana que a NATO encetará novas conversações com a Rússia na quarta-feira, num gesto de abertura e boa-fé do Ocidente.

O presidente francês, François Hollande, ofereceu contudo mais do que um ramo de oliveira a Moscovo, ao dizer na sexta-feira que a Rússia não é um adversário, nem uma ameaça, mas um parceiro.

Questionado sobre se concorda com Hollande, Stoltenberg referiu que não existe uma "ameaça iminente" a nenhum membro da NATO, acrescentando: A Rússia não é um parceiro estratégico (...) mas também não estamos numa situação de guerra fria".

Os líderes da NATO reunidos em Varsóvia irão discutir hoje a questão da Ucrânia com o presidente Petro Poroshenko.

Estados Unidos e União Europeia impuseram ambos sanções a Moscovo após a crise na Ucrânia, mas na Europa aumentam os pedidos para levantamento de tais sanções.

França e Alemanha, que possuem fortes relações políticas e económicas com a Rússia, desempenharam um papel importante nos esforços para resolver o conflito na Ucrânia, ajudando nos acordos de cessar-fogo de Minsk.

A decisão inédita da NATO de colocar milhares de soldados no terreno ajudou a combater o ceticismo de alguns líderes na região, com a presidente lituana Dalia Grybauskaite, muito crítica de Putin, a defender que uma NATO forte favorece o diálogo com a Rússia.

Enquanto os líderes da NATO se reúnem em Varsóvia, que foi berço do Pacto de Varsóvia durante a guerra fria com o Ocidente, Putin opõe-se à expansão da NATO para antigos países-satélite da era soviética, interpretando isso como um cerco do Ocidente à Russia.

A Russia é também muito crítica na questão dos mísseis balísticos de defesa que os Estados Unidos implementaram face à ameaça do Irão no Médio Oriente, e que foi declarado operacional.

Os líderes da NATO anunciaram ainda planos para reforçar a segurança no Afeganistão até 2020 e para combater os talibãs que estão a colocar o Governo de Cabul sob enorme pressão.

Stoltenberg disse que a NATO manterá tropas no Afeganistão até 2017, sem adiantar datas para o fim da participação e ajuda militar naquele país, iniciada em 2001.

Os 28 países da NATO voltarão a analisar a situação no Afeganistão no próximo ano, indicou.

Lusa