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HRW acusa Governo turco de bloquear investigações sobre morte de civis curdos

A Human Rights Watch (HRW) acusou hoje o Governo turco de dificultar a investigação sobre alegadas mortes de civis por forças de segurança no decurso da ofensiva de Ancara contra os rebeldes curdos no sudeste do país.

© Reuters Photographer / Reuter

"Existem informações credíveis que apontam para a morte deliberada de civis, incluindo crianças, que levavam bandeiras brancas ou estavam encurraladas em sótãos, pelas forças de segurança turcas", indica Emma Sinclair-Webb, investigadora na Turquia da organização internacional de direitos humanos com sede em Nova Iorque.

"Isto deveria fazer soar todos os alarmes", acrescenta em comunicado, no qual também exige a Ancara que permita o acesso à região de uma equipa de investigação da ONU, que solicitou essa autorização em maio.

A situação repetiu-se em várias cidades do sudeste da Turquia, onde grupos de jovens, identificados pelas siglas YPS (Unidades de Proteção Civil) e próximos do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a guerrilha curda, pegaram em armas em 2015 contra o Governo.

Pelo menos 338 civis foram mortos nesses confrontos em nove cidades, indica a HRW.

A organização centrou as suas investigações na cidade de Cizre, um município de 100.000 habitantes na província de Sirnak, junto à fronteira com a Síria, que permanece sob recolher obrigatório entre 14 de dezembro de 2015 e 11 de fevereiro.

Nesse período, 66 habitantes da cidade, incluindo 11 menores, foram vitimadas por disparos e morteiros, enquanto outras 130 pessoas encurraladas em sótãos foram mortas pelas forças de segurança turcas, assegura a ONG.

Estes acontecimentos provocaram polémica na Turquia, pelo facto os contactos telefónicos das pessoas cercadas terem sido gravados por deputados do Partido Democrático dos Povos (HDP, esquerda), a terceira força no parlamento, que durante várias dias tentaram sem êxito obter autorização do Governo para enviar uma ambulância para o local.

A maioria das mortes em Cizre ocorreu durante confrontos armados entre forças de segurança e rebeldes do YPS em bairros onde foram erguidas barricadas e escavadas trincheiras, apesar de a HRW indicar que também foram registadas vítimas em locais sem tiroteios ou barricadas, e solicitar à procuradoria de Cizre uma "investigação completa e independente".

A ONG também exige ao Governo turco que permita o acesso a Cizre a uma equipa de investigação do Alto Comissariado da ONU para os direitos humanos, um pedido emitido em maio mas até ao momento sem resposta de Ancara.

No início de fevereiro as Forças armadas turcas asseguraram ter "neutralizado" (abatido, ferido ou aprisionado) em dois meses mais de 700 "terroristas" em Cizre e em Diyarbakir, outra cidade onde decorreram combate de rua com o YPS.

Por sua vez, o HDP contabilizou no mesmo período 250 mortos em Cizre, na "grande maioria civis", apesar de o partido também reconhecer que o balanço também inclui membros armados do YPS.


Lusa

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