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"O caos instalou-se e é muito difícil entender a atual situação"

O professor Mustafa Sen, da Middle East Technical University de Ancara e especialista em temas religiosos, disse hoje em declarações à Lusa que o caos se instalou na Turquia e é "muito difícil" entender a atual situação.

TOLGA BOZOGLU

"Não estamos a entender o que está a acontecer, estou a ver os canais de televisão e as declarações do Presidente e primeiro-ministro, de vários ministérios, e por outro lado do exército", referiu em declarações por telefone à Lusa a partir de Ancara.

"Mas não existe a certeza de onde vêm exatamente esses comunicados, instalou-se uma espécie de caos e neste momento não entendemos nada", assinalou.

O académico precisou que os comunicado oficiais emitidos pela presidência, gabinete do primeiro-ministro e diversos ministérios se referem a uma "espécie de intervenção militar" e dão a entender que que não se trata de uma movimentação global das Forças Armadas "mas de um grupo no interior da instituição militar que decidiu agir".

No entanto, precisou não existir a certeza de onde vêm exatamente esses comunicados. "Instalou-se uma espécie de caos e neste momento não entendemos nada", frisou.

Ao comentar o apelo do Presidente Recep Tayyip Erdogan à população para "sair às ruas", considerou ser de momento impossível avaliar as consequências dessa decisão.

"[O Presidente Erdogan] pediu às pessoas que apoiam o Governo para atuarem a oporem-se a esta ação militar. Algumas pessoas estão a afluir para as principais praças em Ancara e Istambul, mas está tudo muito pouco claro".

Mustafa Sen também considerou que "a própria situação do chefe de estado-maior das Forças Armadas não é clara", antes de se referir à existência de "alusões de que se trata de uma movimentação de um setor militar que apoia Fethullah Gulen", o pregador turco e antigo imã que se autoexilou nos Estados Unidos em 1999.

O fundador do poderoso Movimento Gulen (Hizmet), com milhões de seguidores na Turquia e que em 2013 entrou em rutura com Erdogan e o seu Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, no poder desde 2002), que apoiou na fase inicial da sua ascensão.

Seguiu-se uma dramática luta pelo poder e o início da repressão ao Hizmet no país -- acusado por Erdogan de pretender construir um "Estado paralelo" -- através do encerramento de dezenas de escolas e processos judiciais contra figuras políticas e militares associadas a este movimento.

Lusa