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MSF alerta para "graves distúrbios de saúde mental" de imigrantes na Europa

Os imigrantes na Europa sofrem "graves distúrbios de saúde mental" devido às experiências vividas nos seus países de origem e na passagem para a Europa, que encontram à sua chegada em Itália, alertaram hoje os Médicos Sem Fronteiras (MSF).

© Hannibal Hanschke / Reuters

Num comunicado publicado hoje, a organização internacional alerta que esse problema "é ignorado num sistema inadequado de acolhimento" com especial destaque para Itália, ponte natural entre a Europa e o norte de África.

A especialista em saúde pública e autora do documento, Silvia Mancini, destacou que das 387 pessoas entrevistadas durante as atividades de apoio psicológico, 60 por cento apresentavam distúrbios de saúde mental.

Por outro lado, 87% das 199 pessoas que foram seguidas durante a sua estadia nos centros de acolhimento italianos declararam, que, desde que estavam ali, "a sua estadia tinha piorado substancialmente".

Mancini disse que "a incerteza que está em causa pode provocar-lhes uma intensa ansiedade e gerar outras condições de 'stress'".

"O sistema de asilo está sobrecarregado e o processo torna-se extremamente longo e complicado em Itália. Isto significa que homens, mulheres e crianças ficam retidos em centros de acolhimento de emergência durante longos períodos de tempo", lamentou.

No comunicado, intitulado por "Feridas ignoradas e traumas contribuem para agravar o estado da Europa", utiliza-se informação recolhida entre julho de 2015 e fevereiro deste ano em diferentes centros de acolhimento de emergência situados em Roma, Trápani e Milão.

Dos 199 pacientes atendidos diretamente pelas equipas de Médicos Sem Fronteiras (MSF) nos centros da província de Ragusa, 42% apresentavam distúrbios mentais associados ao 'stress' pós-traumático e 27% apresentavam ansiedade.

No estudo aponta-se como uma das causas desta situação as condições de vida nos centros de acolhimento de emergência, estabelecidos em 2014 para fazer face à crise migratória, sendo importante destacar que não estavam pensados como residências a longo prazo.

Contudo, quase dois anos depois "todos aqueles que chegam não têm outra opção, se não a de permanecer durante meses em centros que não reúnem as condições adequadas para a sua estadia", destacou MSF.

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