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Distúrbios a norte de Paris após morte de jovem sob custódia da polícia

A violência deflagrou nos arredores de Paris esta madrugada pela segunda noite consecutiva, com 15 carros incendiados por residentes em fúria com a morte de um jovem sob custódia da polícia, anunciaram fontes oficiais.

Os distúrbios começaram na noite de terça-feira, depois de a população saber que Adoma Traoré, 24 anos, tinha morrido pouco tempo depois de ter sido detido em Beaumond-sur-Oise, arredores de Paris, pela polícia.

O jovem tinha tentado interferir na detenção de um irmão, suspeito de envolvimento num caso de extorsão, de acordo com fontes policiais não identificadas à agência France Presse.

Na explicação de um procurador local, Yves Jannier, citado pela AFP, Adoma "desmaiou enquanto era transportado" para a esquadra e os paramédicos foram chamados de imediato, mas não conseguiram reanimá-lo.

Na noite de terça-feira, cinco membros das forças paramilitares ficaram feridos em confrontos, nove carros foram incendiados e vários edifícios públicos vandalizados. Uma pessoa foi detida.

Os distúrbios voltaram a eclodir na madrugada passada numa série de povoações contíguas no Vale do Oise, uma faixa de 30 quilómetros de subúrbios a norte de Paris, resultando num balanço de mais 15 carros incendiados, tentativas de incêndio de uma escola e do edifício de uma autarquia.

"Oito pessoas foram detidas. Algumas por atirarem 'cocktails molotov' contra as forças de segurança, outras por tentativa de incêndio de um edifício público", anunciou Jean-Simon Mérandat, diretor da prefeitura (delegação do Governo) local, citado pela AFP.

Mérandat explicou ainda que 180 polícias e efetivos das forças paramilitares foram mobilizados para fazer frente a "200 indivíduos hostis".

Os participantes nos distúrbios queimaram 15 veículos e provocaram 35 incêndios na rua, de acordo com a mesma fonte.

Um grupo de amigos de Adoma Traoré exigiram ver o cadáver, que deverá ser hoje submetido a autópsia, depois de alguns deles terem contado ter visto como foi golpeado pelos paramilitares na noite de terça-feira.

Esta onda de violência ocorre num contexto em que as forças de segurança francesas se encontram sob pressão significativa, depois de meses de alerta máximo de prevenção contra ataques terroristas e de protestos contra o Governo, em que as próprias forças de segurança se tornaram alvo da fúria dos manifestantes.

Em 2005, quando dois jovens adolescentes morreram eletrocutados numa estação de eletricidade onde se esconderam para fugir a uma perseguição da polícia, os subúrbios franceses foram o palco de semanas de violência, vista como uma revolta contra o sistema de guetos em França, onde se concentram altos níveis de pobreza e desemprego e onde vive maioritariamente uma população de primeira e segunda geração de imigrantes que se sentem excluídos e marginalizados pela sociedade.

Lusa

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