sicnot

Perfil

Mundo

Ex-presidente de Moçambique diz que futuro passa pela economia do mar

Joaquim Chissano afirmou hoje em Maputo que o futuro da economia de Moçambique passa pela exploração em pleno dos seus recursos marítimos, alertando para as ameaças às águas do país, nomeadamente várias formas de tráfico.

© Reuters Photographer / Reuter

"O futuro de Moçambique passa pela economia do mar, dada a imensidão da costa moçambicana e a abundância dos recursos marítimos", disse Chissano, falando no seminário "Economia Azul: Um Nicho de Oportunidades para Alavancar o Desenvolvimento em Moçambique".

Segundo Chissano, a localização de Moçambique à beira do oceano Índico oferece potencialidades ao nível de recursos energéticos, rotas marítimas, comércio internacional, indústria alimentar e turismo.

"É com um conhecimento cada vez mais profundo das potencialidades das águas moçambicanas que se pode tirar um maior proveito dos recursos marítimos em prol do bem-estar das populações", frisou o antigo chefe de Estado.

De acordo com Chissano, uma exploração sustentável da economia do mar dará a Moçambique a possibilidade de melhorar a sua balança comercial.

"Moçambique está no mapa de uma das grandes rotas marítimas e isso lhe confere um grande ativo económico", enfatizou o antigo Presidente moçambicano (1986-2005).

Joaquim Chissano defendeu que o país deve apetrechar-se de condições de segurança marítima, para que as águas nacionais não sejam palco de ações de criminalidade transnacional, nomeadamente tráficos.

Por seu turno, Pais Neto, chefe do Gabinete da Direção Geral da Autoridade Marítima Nacional de Portugal, assinalou que as rotas e os recursos marítimos são cada vez mais vitais para o mundo, apontando o grande peso do mar na economia portuguesa como exemplo.

"O mar reveste uma importância primordial na vida de Portugal, assume uma perspetiva política, económica, cultural e sociológica", afirtmou.

Para Pais Neto, a estabilidade de Portugal está intrinsecamente associada à segurança marítima, uma relação que impõe que o país se prepare adequadamente para combater os crimes que se desenrolam nas águas nacionais.

O tráfico de pessoas e de estupefacientes, prosseguiu, são exemplos de ilícitos que têm o mar como palco, fenómeno que impõe a coordenação internacional de esforços.

O seminário "Economia Azul: Um Nicho de Oportunidades para Alavancar o Desenvolvimento em Moçambique" foi organizado pela Fundação Joaquim Chissano e pela consultora portuguesa New Sigma Holding.

Lusa