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Autoridades turcas avisam que a "grande limpeza" ainda não terminou

​As autoridades turcas asseguraram que estavam a preparar, antes do fracassado golpe militar, uma vasta purga dos simpatizantes do clérigo Fethullah Gülen nas instituições estatais e advertiram que a "grande limpeza" ainda não terminou.

Em entrevista à cadeia televisiva britânica Sky News, o primeiro-ministro Binali Yildirim preveniu que "poderão verificar-se novas detenções", para além das que foram concretizadas desde a tentativa de golpe de Estado em 15 de julho, enquanto foram emitidos novos mandados de detenção dirigidos a jornalistas.

As vastas purgas que atingem o exército, a justiça, os media e a educação "ainda não terminaram", advertiu o primeiro-ministro, que também insinuou um eventual envolvimento dos Estados Unidos na tentativa de golpe.

Numa entrevista que concedeu ao The Wall Street Journal e publicada na terça-feira, Yildirim disse que Ancara estava "desconsolada" com a atitude de Washington face ao pedido de extradição de Gülen, exigida pelas autoridades turcas.

"As provas são claras. Conhecemos o culto terrorista responsável pelos maléficos ataques contra nós e o povo turco", referiu o primeiro-ministro.

"Estamos desconsolados pela forma como os Estados Unidos estão a abordar esta questão. Não podemos compreender por que motivo os Estados Unidos não [nos] entregam este indivíduo", disse.

Segundo o ministro do Interior Efkan Ala, citado pela agência noticiosa Anadolu, foram detidas cerca de 16 mil pessoas desde o golpe de Estado.

Um responsável turco indicou à agência noticiosa France-Presse que 3 mil suspeitos já foram libertados e 8.113 permanecem em prisão preventiva.

A justiça turca anunciou 47 novos mandados de detenção dirigidos a ex-trabalhadores do diário Zaman, devido às suas alegadas ligações à rede do ex-imã Fethullah Gülen, que Ancara acusa de ter fomentado o golpe.

Estas acusações têm sido firmemente rejeitadas pelo visado, que desde 1999 se autoexilou nos Estados Unidos.

No início da semana os procuradores tinham já emitido 42 mandados de detenção contra jornalistas, e que continuam a ser efetuados.

O Conselho Militar Supremo (YAS) deve reunir-se na capital turca a partir da manhã de quinta-feira, e é aguardada uma vasta reestruturação na hierarquia militar.

O ministro da Energia Berat Albayrak, genro do Presidente Recep Tayyip Erdogan, revelou hoje que o YAS tinha a intenção, antes da tentativa de golpe de Estado, de se reunir durante o verão para expulsar das Forças Armadas todos os oficiais suspeitos de ligações a Gülen, um antigo aliado e até 2013, quando se consumou a rutura entre a sua organização Hizmet (O Serviço) e o regime islamita-conservador.

O YAS "estava na iminência de tomar medidas importantes para demitir oficiais e generais gulenistas das Forças Armadas", referiu durante um encontro com jornalistas estrangeiros em Ancara.

Esta purga no meio militar, explicou, insere-se numa campanha mais vasta destinada a afastar dos seus postos os acusados de cumplicidade com Gülen na justiça e em outras instituições.

Berat Albayrak assegurou ainda que os militares próximos de Gülen "tomaram a decisão" de derrubar o poder pela força, quando se aperceberam que iriam em breve ser afastados das suas posições.

Lusa

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