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Detido líder religioso afegão por raptar e desposar menina de seis anos

Um "mullah" (líder religioso) afegão foi detido por ter raptado e desposado uma menina com seis anos, informaram os dirigentes provinciais de uma região remota do Afeganistão, marcada por numerosos abusos contra as mulheres.

Mohammad Karim, com 60 anos, foi detido "há dois dias" na província de Ghor, no cento do país, apesar de garantir que a criança lhe tinha sido oferecida pelos pais como uma "oferta religiosa", indicaram aqueles responsáveis à AFP.

Mas, segundo o gabinete do governador, citando a família, a menina tinha sido raptada na província de Herat, fronteiriça com o Irão, há várias semanas, durante o Ramadão.

A vítima foi colocada num abrigo para mulheres e os seus pais estão em trânsito para a província, avançou a responsável para os assuntos femininos de Ghor, Masoom Anwari, que acrescenta que ela está em estado de choque.

"A menina não fala e só repete uma coisa: 'Tenho medo do homem'", detalhou.

A idade legal para o casamento no Afeganistão é de 16 anos para as raparigas e 18 para os rapazes.

Este novo caso de casamento precoce ocorre duas semanas depois da morte dolorosa de uma adolescente de 14 anos, casada desde os 12, também na província de Ghor.

Zahra, morta devido a queimaduras profundas, depois de dois anos de tormentos e maus tratos, tinha sido dada a uma família em troca de uma nova esposa para o seu pai.

O pai de Zahra tinha assim casado com a irmã do marido da sua filha.

A Comissão Independente dos Direitos Humanos no Afeganistão, em 2015, registou 235 casamentos precoces, metade dos quais envolvendo meninas com entre 11 e 15 anos, mas em 7% dos casos as idades situavam-se entre os sete e os 10 anos.

Uma outra prática afegã, o 'baad', consiste em oferecer uma menina para regular um diferendo entre famílias.

Lusa

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