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Governo turco admite erros na purga lançada após golpe de Estado falhado

O golpe falhado na Turquia

© Murad Sezer / Reuters

O Governo turco admitiu hoje pela primeira vez a existência de erros na purga lançada após a tentativa de golpe de Estado, e que foi criticada pela sua envergadura.

"Se tiverem ocorrido erros, nós iremos corrigi-los", disse o vice-primeiro-ministro, Numam Kurtulmus, numa declaração que demonstra um novo tom na Turquia, onde a perseguição aos simpatizantes do ex-imã Fethullah Gülen, acusado de planear o golpe de Estado do passado dia 15 de julho, motivou uma purga radical nas forças armadas, na justiça, na educação e na imprensa, com mais de 18 mil detidos e mais de 50 mil pessoas demitidas.

Os cidadãos que "não tenham qualquer filiação com os apoiantes de Gülen devem descontrair-se" porque "não lhes será feito nenhum mal", acrescentou o governante, numa conferência de imprensa.

Mas, avisou, os apoiantes do imã, exilado nos Estados Unidos, "devem ter medo".

"Eles pagarão o preço", declarou Kurtulmus, sobre os simpatizantes do opositor turco, cuja extradição tem sido reclamada por Ancara junto das autoridades norte-americanas.

Um pouco antes, o primeiro-ministro, Bilani Yildirim, reconheceu também a possibilidade de terem ocorrido abusos entre os casos de milhares de pessoas que foram alvo desta purga.

"Está a decorrer um trabalho meticuloso sobre os que foram despedidos", indicou o primeiro-ministro, citado pela agência Anadolu (pró-governo).

"Há certamente entre eles pessoas que foram vítimas de procedimentos injustos", admitiu, adotando assim um tom conciliador, inédito na Turquia após a tentativa de golpe de Estado que fez vacilar o poder do Presidente, Recep Tayyip Erdogan, durante umas horas, na noite de 15 de julho.

O chefe do Governo acrescentou: "Não afirmamos que não há nenhuma injustiça. Nós distinguiremos a diferença entre aqueles que são culpados e aqueles que não o são".

Mais de 18 mil pessoas foram detidas nas duas últimas semanas na Turquia e, destas, perto de 10.000 foram alvo de processos judiciais e foram detidas preventivamente. Mais de 50 mil pessoas foram despedidas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Frank-Walter Steinmeier, considerou na quinta-feira que as purgas "ultrapassam todos os limites" e que "não se pode ficar em silêncio" face à amplitude das detenções.

"Um país que prende os seus próprios professores e os seus próprios jornalistas, prende o futuro" do país, afirmou, por seu lado, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi.

O Presidente turco aconselhou o Ocidente a "meter-se nos seus assuntos".

Lusa

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