sicnot

Perfil

Mundo

Erdogan e Renzi trocam palavras azedas sobre justiça e "Estado de direito"

A guerra de palavras do Presidente turco Recep Tayyip Erdogan com o Ocidente tornou-se pessoal, quando esta terça-feira disse aos juízes italianos envolvidos numa investigação ao seu filho que deveriam antes perseguir a máfia.

A observação do chefe de Estado turco originou uma resposta imediata do primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, que defendeu a vigência do "Estado de direito" no país transalpino.

"Neste país os juízes respondem às leis e à Constituição italiana, não ao Presidente turco. Chama-se 'Estado de direito'", disse Renzi na rede social Twitter.

Necmettin Bilal, o filho mais velho de Erdogan, que estudou na cidade italiana de Bolonha, está sob investigação desde fevereiro por juízes da procuradoria desta cidade por suspeita de envolvimento em fuga de capitais. Erdogan já considerou que o prosseguimento deste processo pode dificultar as relações bilaterais.

Em entrevista concedida hoje ao canal televisivo italiano Rai News, Erdogan admitiu que o caso da investigação sobre o seu filho em Bolonha "pode dificultar" as relações com a Itália, defendendo que "deveria ocupar-se melhor da mafia".

Para além de Renzi, e através de uma declaração, o Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano também se pronunciou sobre as palavras de Erdogan, para salientar que no país "está em vigor o Estado de direito" e acrescentar que existe "pleno respeito pela autonomia da magistratura".

O ministério também indicou na declaração que a justiça e as forças da ordem "estão empenhadas no êxito com a [luta contra a] máfia e para o fazer não necessitam de qualquer incentivo".

Ao abordar as relações entre a Europa e a Turquia, a nota oficial da Farnesina (Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano) "reitera a firme condenação do golpe de Estado de 15 de julho e confirma a preocupação comum em toda a Europa pelos acontecimentos em curso".

Na entrevista à Rai News Erdogan mostrou-se muito crítico face à atuação das autoridades europeias na sequência da tentativa de golpe de Estado, em particular com a chefe da diplomacia comunitária, a italiana Federica Mogherini.

"Mogherini não deveria ter falado do exterior, deveria ter vindo aqui. Quando em Paris morrem cinco ou seis pessoas, todos comparecem. Na Turquia, houve um golpe contra a democracia que custou a vida a 238 mártires e até agora não veio ninguém", criticou.

O chefe de Estado turco questionou-se ainda sobre a atitude da dirigente da União Europeia.

"Se o parlamento italiano fosse bombardeado, que se passaria? Como reagiria Mogherini, que é italiana? Diria que fizeram bem, que está preocupada com os processos que surgiriam?", disse.

Erdogan também associou a continuação do acordo do seu país com a União Europeia (UE) para o reenvio de refugiados à supressão por Bruxelas dos vistos para cidadãos turcos.

"Se a UE não conceder a liberalização dos vitos para os cidadãos turcos, Ancara não respeitará o acordo de março sobre os imigrantes", asseverou o líder turco.

Lusa

  • O papel da religião no quotidiano
    24:57
  • Jane Goodall iniciou palestra com sons semelhantes aos dos chimpanzés
    2:18

    País

    A investigadora Jane Goodall esteve esta quinta-feira em Lisboa para participar numa conferência da National Geographic. A primatóloga começou o seu discurso com sons semelhantes aos dos chimpanzés. Numa entrevista à SIC, Goodall falou sobre os chimpanzés e sobre o trabalho que continua a desenvolver em todo o mundo, em prol do ambiente, dos animais e das pessoas. 

  • NATO vai aumentar luta contra o terrorismo

    Mundo

    O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, disse que os aliados da NATO concordaram esta quinta-feira em aumentar a luta contra o terrorismo e em "investir mais e melhor" na Aliança.

  • Trump empurra líder do Montenegro para ficar à frente na fotografia

    Mundo

    A reunião de líderes dos Estados-membros da NATO, que decorreu esta quinta-feira em Bruxelas, na Bélgica, ficou marcada por um momento insólito em que o Presidente norte-americano não quis abdicar de ficar no melhor plano possível nas fotografias de grupo. Nem que para isso tenha sido necessário empurar o líder de outro país.

  • O humor de John Kerry nas críticas a Trump
    0:40

    Mundo

    John Kerry criticou as ligações de Donald Trump com a Rússia durante um discurso de abertura, na Universidade de Harvard. O ex-secretário de Estado norte-americano disse, em tom de brincadeira, que se os jovens querem vingar na política, devem primeiro aprender a falar russo.