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Líder do Conselho da Europa reconhece necessidade de "limpeza" na Turquia

© Handout . / Reuters

O secretário-geral do Conselho da Europa, Thorbjorn Jagland, reconheceu hoje na Turquia a "necessidade de limpar" as instituições do país após a tentativa de golpe de Estado.

O ex-primeiro-ministro norueguês foi o primeiro responsável europeu a manifestar apoio a Ancara e quando prossegue uma vasta purga em diversas instituições.

No entanto, recordou a necessidade de se respeitar o "Estado de direito" enquanto prossegue a perseguição aos simpatizantes do clérigo Fethullah Gülen, exilado nos Estados Unidos, acusado de ter fomentado o abortado golpe de 15 de julho.

"Queria dizer que existe muito pouca compreensão por parte da Europa sobre os desafios que o golpe falhado originou para as instituições democráticas e o Estado na Turquia", disse o secretário-geral do Conselho da Europa após um encontro com o chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu.

As críticas sobre a amplitude desta purga surgiram de diversos países ocidentais, e na sequência de drásticas medidas que atingiram as Forças Armadas, justiça, educação e os 'media', com um total de 10.000 detenções provisórias e 50.000 despedimentos compulsivos.

"Reconheço que era necessário combater que estava por detrás do golpe falhado e também esta rede secreta, que infiltrou as instituições do Estado, o exército e também a justiça", considerou Thorbjorn Jagland numa referência aos seguidores de Gülen.

"Fomos informados das redes de Gülen há muito tempo. Decerto que encaramos a necessidade de limpar tudo isso", disse Jagland antes de um encontro com o Presidente Recep Tayyip Erdogan, e seguida de uma reunião com o primeiro-ministro Binali Yildirim.

Mas "é também muito importante que isso seja feito em conformidade com o Estado de direito e as normas da Convenção europeia dos direitos humanos", acrescentou.

Esta convenção "menciona princípios muito importantes pelos quais toda a pessoa é inocente enquanto não for provada a sua culpabilidade", sublinhou.

Jagland felicitou-se pelo facto de o Governo turco ter aceitado "trabalhar com peritos do Conselho da Europa para que a situação decorra de forma conveniente", numa referência ao período pós-golpe de Estado e quando a Turquia está submetida ao estado de emergência durante três meses.

À semelhança da França, a Turquia anunciou que iria prescindir temporariamente da Convenção europeia dos direitos humanos, e em que lhe permite em certos limites perseguições e medidas judiciais mais eficazes e excecionais.

A Turquia é membro do Conselho da Europa desde 1949, uma instituição que reúne 47 países e vocacionada para a defesa dos direitos humanos e do Estado de direito.

Lusa

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