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Ministro grego desmente ter pedido plano B caso Ancara denuncie acordo

O ministro grego responsável pela política de migração, Yannis Mouzalas, desmentiu ter reivindicado um "plano B" da União Europeia para o caso de a Turquia denunciar o acordo que permitiu reduzir o fluxo migratório para a Europa.

O desmentido ocorre horas depois de o diário alemão Bild divulgar uma entrevista com Yannis Mouzalas, na qual, segundo a tradução para alemão, o ministro terá afirmado que a Grécia está "muito preocupada" e que "pediu um plano B".

"O ministro desmente a tradução feita para o Bild", indicou, em comunicado, o seu ministério, que publicou as respostas do governante ao jornal em grego.

Segundo o comunicado, quando foi questionado pelo Bild sobre a "necessidade de um plano B para o caso de a Turquia desistir do acordo com a União Europeia", o ministro respondeu que a "Grécia está envolvida no acordo, que depende do apoio da União Europeia e da obrigação de a Turquia o respeitar".

"Obviamente, estamos a acompanhar a situação e é claro que estamos preocupados, mas até agora o número de pessoas que tem estado a chegar às ilhas não demonstra que o acordo esteja a ser desrespeitado", acrescentou o ministro.

A Grécia, que foi em 2015 a principal porta de entrada de refugiados e migrantes que procuram asilo na UE, teme que o falhanço do acordo concluído a 18 de março entre a UE e Ancara implique o recomeço das entradas massivas de refugiados.

O Governo turco, em plena deriva autoritária após um golpe de Estado falhado, ameaça cancelar o acordo se a UE não suprimir a exigência de vistos para os turcos que queiram viajar para a Europa.

A ameaça foi verbalizada pelo titular dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu, que numa entrevista publicada no domingo no Frankfurter Allgemeine Zeitung disse que não se eliminasse até outubro a exigência de vistos para cidadãos turcos, Ancara seria "obrigada" a distanciar-se do acordo para a readmissão de refugiados.

Nesse acordo, a Turquia comprometeu-se a aceitar de volta os imigrantes que chegassem do seu território às ilhas gregas de forma ilegal e, em troca, a UE prometia uma ajuda de até 6.000 milhões de euros.

Por cada imigrante sírio enviado de volta à Turquia, outro refugiado sírio poderia abandonar o país legalmente e entrar diretamente na UE.

O pacto incluía também a supressão de vistos, mas este último ponto, que deveria entrar em vigor em junho, continua pendente porque Bruxelas considera que Ancara ainda não cumpriu com todos os requisitos e deve reformar a sua lei antiterrorista para cumprir com os padrões europeus.

Lusa

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