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PM turco diz que serviços secretos avisaram o exército sobre o golpe mas não o Governo

© Umit Bektas / Reuters

Os serviços secretos da Turquia (MIT) avisaram o exército da tentativa de golpe de Estado de 15 de julho, mas não informaram o Governo, disse o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, numa entrevista divulgada pela imprensa turca.

"Às 15:00 horas (13:00 horas em Lisboa) do dia 15 de julho, um comandante informou o MIT. Ele disse que neste mesmo dia seriam atacados. Perguntei ao MIT porque não nos informaram e não me responderam", disse Yildirim numa entrevista emitida na noite de terça-feira pela CNNTurk.

Binali Yildirim disse ainda que questionou diretamente o chefe do MIT sobre os acontecimentos não terem sido relatados ao Presidente e ao primeiro-ministro.

"Que o chefe do Estado Maior seja informado é totalmente natural, claro, mas deveria ter falado ao mesmo tempo com o primeiro-ministro, porque é dependente dele. Entretanto, não me respondeu nada, não me disse nada", acrescentou.

Segundo um comunicado das Forças Armadas, emitido poucos dias depois da tentativa de golpe falhado, o MIT havia informado às 16:00 horas (14:00 horas em Lisboa) a chefia militar e esta deu ordens para não permitir a saída de tanques e aviões dos quartéis.

As ordens foram desobedecidas pelos golpistas, iniciaram um movimento de tropas durante à noite, cinco horas e meia depois do aviso.

O Governo teve notícia do golpe uma hora mais tarde, quando caças já sobrevoavam Ancara e Istambul, e o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, afirmou ter sido informado pelo seu cunhado.

Erdogan propôs que o MIT passe a depender da Presidência, para o qual depende do apoio da oposição, e referiu ainda que acontecerá uma profunda reforma nos serviços de informação da Turquia.

Na mesma entrevista, Yildirim disse que até ao momento 58.000 funcionários, incluindo cerca de 23.000 professores, foram suspensos dos cargos como medida contra as redes de simpatizantes do clérigo exilado Fethullah Gulen, acusado pelo Governo de ser o líder da tentativa de golpe.

Segundo o jornal turco Hurriyet, durante a reunião com o chefe do Estado Maior norte-americano, Joseph Dunford, segunda-feira em Ancara, o primeiro-ministro turco insistiu que Washington deve extraditar Gulen para a Turquia.

O clérigo vive nos Estados Unidos desde 1999.

"Esperávamos dos Estados Unidos uma posição mais firme e mais determinada (sobre o golpe). Se este homem permanecer lá, teremos um grande problema", disse Yildirim a Dunford, de acordo com o jornal turco.

Lusa

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