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Angola regista todos os dias 75 novos casos de VIH/SIDA

(Reuters/Arquivo) Simbolo mundial da Sida

© Antony Njuguna / Reuters

Angola regista diariamente uma média de 75 novos casos de VIH/SIDA, indicou o secretário executivo da Rede Angolana das Organizações e Serviços da Sida (ANASO), considerando a situação "preocupante".

António Coelho falava à imprensa, em Luanda, à margem da cerimónia de assinatura de um financiamento de 60 milhões de dólares (53,5 milhões de euros) do Fundo Global para o combate ao VIH/SIDA e a malária em Angola.

Para o programa de combate ao VIH/SIDA está destinado metade do financiamento, que vai servir essencialmente para a aquisição de antirretrovirais, sendo 40% da verba para ações de intervenção comunitária, nomeadamente o trabalho com homossexuais.

Segundo António Coelho, a crise económica e financeira que Angola está a enfrentar fez reduzir a participação financeira do Governo na luta contra a doença, frisando que também tem estado a aumentar o número de mortes.

"De acordo com os dados que temos disponíveis estamos a registar em todo o país cerca de 75 novas infeções por dia e temos estado a registar em média 20 a 25 mortes por dia. São dados que podem não ser muito alarmantes, mas são preocupantes e que requerem da nossa parte uma reação bastante rápida", disse António Coelho.

O secretário executivo da ANASO saudou a contribuição, apesar de insuficiente para a resolução de todos os problemas, mas suficiente para minimizar algumas das grandes dificuldades enfrentadas atualmente.

"O país continua a viver uma escassez de meios para apoio à luta, quer do ponto de vista de medicamentos, reagentes, testes e preservativos e isto tem estado a comprometer as campanhas públicas que devem ser realizadas um pouco por todo o país", lamentou.

Acrescentou que as necessidades atuais estão perto dos 100.000 tratamentos, tendo em conta os últimos dados de cerca de 88 mil pessoas que vivem com o VIH/SIDA e em tratamento.

"Mas ainda há metade desse conjunto de pessoas que precisa de terapia e infelizmente não estão a beneficiar", frisou António Coelho.

Segundo dados oficiais, a prevalência do VIH/SIDA em Angola entre adultos com idades entre os 15 e 49 anos é de menos de 2,5% da população, mas subsistem desafios significativos na taxa de transmissão vertical através de mães para filhos, a adesão ao tratamento antirretroviral e a inclusão de todas as pessoas de alto risco na Estratégia Nacional sobre HIV/SIDA.

A transmissão sexual é a principal forma de contágio da epidemia no país, sobretudo a heterossexual

O novo financiamento do Fundo Global vai ser executado até junho de 2018 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em parceria com o Instituto Nacional de Luta Contra a SIDA e outras organizações parceiras.

As ações visam promover sobretudo o aumento dos testes e aconselhamento, desenvolver campanhas educativas dirigidas a meninas fora da escola, reforçar os serviços de prevenção das profissionais do sexo e homossexuais.

Lusa