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Cerca de 50 mortos durante fim de semana em protestos na Etiópia

© Tiksa Negeri / Reuters

Cerca de 50 pessoas foram mortas em confrontos ocorridos no último fim de semana na Etiópia, entre a polícia e manifestantes contra o Governo, indicaram fontes da oposição e diplomáticas.

Os protestos estenderam-se por toda a região de Oromia e chegaram mesmo à capital, Adis Abeba, um acontecimento raro num país com um Governo considerado um dos mais repressivos em África.

"Temos relatos de entre 48 e 50 manifestantes mortos em Oromia. Este balanço de vítimas mortais poderá ser maior, porque houve muitos feridos", disse Merera Gudina, líder do partido da oposição Oromo People's Congress.

Um diplomata confirmou que 49 pessoas morreram por toda a Oromia, uma região que abrange o centro-oeste da Etiópia, e em Amhara, no norte do país.

© Tiksa Negeri / Reuters

"Parecem ser protestos de nível básico, bastante desorganizados e espalhados por todo o lado. A resposta brutal do Governo corre o risco de provocar mais raiva e piorar a situação", disse o diplomata citado pela agência de notícias francesa, AFP, a coberto do anonimato.

Segundo a Amnistia Internacional (AI), que cita "fontes credíveis", o número de mortos foi de pelo menos 67, e registaram-se também centenas de feridos, porque "as forças de segurança etíopes dispararam balas verdadeiras sobre manifestantes pacíficos em toda a região de Oromia", que saíram à rua para exigir "reformas políticas, justiça e a aplicação da lei".

© Tiksa Negeri / Reuters

No comunicado divulgado, a AI precisa que "o maior banho de sangue - que poderá ser classificado como execuções sumárias - ocorreu na cidade de Bahir Dar, no norte do país, onde pelo menos 30 pessoas foram mortas num dia".

"A resposta das forças de segurança foi pesada, mas não surpreendente. As forças etíopes têm sistematicamente usado força excessiva nas suas tentativas malsucedidas para silenciar vozes dissidentes", disse Michelle Kagari, vice-diretora regional da Amnistia Internacional para a África Oriental, Corno de África e região dos Grandes Lagos.

"Estes crimes devem ser imediata, imparcial e eficazmente investigados e todos os suspeitos de responsabilidade criminal devem ser levados à justiça em julgamentos justos, em tribunais civis normais, sem recurso à pena de morte", sustentou a responsável da AI.

As autoridades bloquearam desde sexta-feira o acesso às redes sociais, o principal instrumento utilizado pelos ativistas para convocar os protestos.

Lusa

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