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Família de jovem suspeito de fabricar bomba processa escola

A família de um adolescente muçulmano detido por levar para a escola um relógio de fabrico caseiro - que foi confundido com uma bomba - apresentou esta segunda-feira uma queixa judicial alegando que os seus direitos civis foram violados.

Ahmed Mohamed tinha 14 anos no ano passado, quando levou um relógio despertador que tinha feito em casa para a escola, nos arredores de Dallas, Texas, para mostrar ao professor, que lho tirou.

Horas depois, Mohamed foi levado da sala de aula e detido pela polícia. Mais tarde, chamaram ao aparelho "uma bomba de brincar", embora fosse apenas um relógio.

Apesar disso, o Irving Independent School District suspendeu Mohamed por três dias.

"São violações aos seus direitos civis", disse a advogada de Mohamed, Susan Hutchison, em conferência de imprensa, ao anunciar o processo judicial.

"A única justiça que temos no nosso sistema judicial é dinheiro. Por isso, vamos processar por justiça", acrescentou.

A família não recebeu qualquer pedido de desculpas, disse Hutchison, e a sua anterior carta a pedir uma indemnização de 15 milhões de dólares foi rejeitada. O processo judicial não pede uma quantia específica.

O incidente colocou Mohamed sob o olhar público, o que já lhe valeu um convite do Presidente Barack Obama para ir à Casa Branca.

O Departamento de Justiça abriu um inquérito sobre direitos civis no agrupamento escolar, que está ainda em curso.

"Recebi muito apoio ao princípio, mas é o ódio que prevalece", disse Mohamed na conferência de imprensa.

Ele e a família abandonaram Irving, um subúrbio de Dallas, por causa do incidente, e vivem agora no Qatar, onde o rapaz frequenta uma escola secundária privada.

"Perdi a minha criatividade, porque antes costumava adorar construir coisas", explicou, acrescentando que, durante a visita à sua antiga cidade do Texas, teve de usar uma camisola com capuz, óculos escuros e boné para se disfarçar, por temer pela sua segurança.

"Lá [no Qatar], não interessa de que religião se é. É-se sempre tratado da mesma maneira", observou.

O Irving Independent School District respondeu em comunicado afirmando que "continua a negar ter violado os direitos do estudante" e que "está a fazer tudo o que é possível para garantir que cada estudante atinge o seu potencial máximo".

Lusa

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