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Padarias na Venezuela que permitam longas filas vão ser multadas

As autoridades venezuelanas acusaram esta quarta-feira os padeiros de estar a fazer política contra o regime do Presidente Nicolás Maduro e anunciaram que vão multar as padarias que permitam longas filas de clientes para comprar pão.

"A recorrência das filas com relação a este produto (venda/compra de pão), (...) situada somente em Caracas, faz-nos pensar que aí há uma intenção política, que sabemos qual é", disse o Superintendente Nacional de Preços Justos.

Segundo William Contreras, "há uma ordem especial" dada pelo Executivo para que seja feita "a distribuição de farinha de trigo aos padeiros", um produto "que desde julho chega (ao país) em condições normais, que deveria permitir a estabilização do sistema".

Para as autoridades venezuelanas as filas que diariamente se registam nas padarias de Caracas, em horas da manhã e da tarde, para comprar pão, não se devem a "falhas do produto (farinha de trigo), pois a matéria-prima está a chegar com normalidade".

O anúncio do superintendente teve lugar em Caracas, durante uma "caravana da sardinha" (distribuição de sardinhas), uma semana depois de o Presidente Nicolás Maduro acusar os padeiros venezuelanos de serem responsáveis pela escassez de pão e instar o ministro da Defesa e encarregado do programa governamental "Missão Abastecimento Soberano" a tomar medidas.

A 10 de julho último, as autoridades venezuelanas confirmaram ter multado 171 padarias, em 48 horas, incluindo várias propriedade de portugueses radicados na Venezuela, por alegadamente estarem a restringir a oferta e a condicionar a venda de pão.

"Não há razão para que os donos das padarias apliquem estes mecanismos de restrição da oferta, quando o Estado venezuelano, através do Ministério Popular para a Alimentação, tem garantido a matéria-prima básica, como é a farinha de trigo", disse o superintendente.

William Contreras falava aos jornalistas durante uma inspeção à Gran Majestic II, uma padaria propriedade de empresários portugueses que também foi multada e obrigada a encerrar por um período de 72 horas.

Fontes empresariais confirmaram hoje à agência Lusa que durante a inspeção foi detido um luso-descendente, administrador da Gran Majestic II e que no dia de hoje ainda não tinha sido libertado.

Lusa

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