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Mausoléus destruídos em Timbuktu foram escolhidos para dar exemplo

O 'jihadista' maliano escolheu destruir os mausoléus de Timbuktu mais frequentados "para que servissem de exemplo", revelaram hoje as audições de testemunhas de acusação no segundo dia deste processo histórico no Tribunal Penal Internacional (TPI).

Acusado de ter participado na destruição de nove de 16 mausoléus e da porta da mesquita Sidi Yahia em junho e julho de 2012, Ahmad al-Faqi al-Mahdi "escolheu os túmulos onde a maioria das 'transgressões' tinha ocorrido", segundo o investigador que conduziu o seu interrogatório em 2015 no Níger.

Al-Mahdi, que estava na altura à frente da brigada islâmica dos costumes, a Hisbah, deveria acabar com as concentrações e as orações naqueles locais, consideradas "um defeito visível", disse a primeira testemunha de acusação.

Segundo a lei islâmica, é proibido "venerar quem quer que seja que não Deus", bem como construir mausoléus sobre as sepulturas, precisou.

As personagens veneradas a que dizem respeito os mausoléus valem a Timbuktu a designação de "cidade dos 333 santos", reconhecidos como protetores da cidade e a quem se apela para proteger casamentos ou para pedir chuva, de acordo com especialistas malianos do islão.

O conjunto de mausoléus e outros locais religiosos de Timbuktu foi declarado património da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em 1988.

Al-Mahdi, o primeiro acusado de crimes de guerra pela destruição de património da humanidade, pediu na segunda-feira perdão pelos seus atos e declarou-se culpado.

O réu era membro do Ansar Dine, um dos grupos 'jihadistas' que controlaram o norte do Mali durante cerca de 10 meses em 2012 até ser desencadeada uma intervenção militar internacional por iniciativa da França.

A UNESCO já restaurou os túmulos destruídos em Timbuktu, situada a 1.000 quilómetros a nordeste da capital do Mali, Bamako.

Lusa

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