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Defesa de Lula da Silva fala em indiciamento com "conotação política"

​Os advogados do Lula da Silva repudiaram, sexta-feira, o indiciamento do ex-Presidente do Brasil, da sua mulher e de outras três pessoas na Operação Lava Jato, falando numa decisão com "conotação política" e numa "peça de ficção".

Em causa estão os crimes de corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, num caso da Operação Lava Jato, que investiga crimes cometidos na Petrobras.

De acordo com documentos divulgados pela Polícia Federal, Lula da Silva e a mulher teriam recebido vantagens ilícitas da empreiteira OAS, que reformou um apartamento de luxo na cidade do Guarujá, no litoral do Estado de São Paulo, gastando cerca de 2,4 milhões de reais (660 mil euros).

Para a polícia, as reformas teriam sido feitas em troca de favores em licitações de projetos da empresa petrolífera estatal Petrobras.

Em nota, os advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira rejeitaram que Lula e a mulher, Marisa, tenham cometido os crimes indicados.

O triplex no Guarujá é "de propriedade da OAS, como não deixa qualquer dúvida o registo no Cartório de Registo de Imóveis do Guarujá", mencionaram os advogados.

No comunicado, a defesa comentou que "o relatório não contém um único elemento que possa superar essa realidade jurídica, revelando-se, portanto, uma peça de ficção".

Os advogados acrescentam que o ex-chefe de Estado esteve no imóvel em causa apenas uma vez, acompanhado da mulher, quando foram conhecê-lo, mas nem ele nem os seus familiares "usaram o imóvel e, muito menos, exerceram qualquer outro atributo da propriedade".

De acordo com a nota, "Marisa adquiriu, em 2005, uma cota-parte da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) que, se fosse quitada, daria direito a um imóvel no Edifício Mar Cantábrico", que é o antigo nome do imóvel Edifício Solaris, relativamente ao qual a polícia aponta Lula da Silva como proprietário.

"Ela fez pagamentos até 2009, quando o empreendimento foi transferido à OAS por uma decisão dos cooperados, acompanhada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo", acrescentaram.

Com isso, segundo os advogados, a mulher de Lula da Silva poderia ter a opção de usar os valores investidos como parte de pagamento de uma unidade no Edifício Solaris, que seria finalizado pela OAS, ou receber o investimento de volta, sendo que ela optou pela restituição dos valores investidos.

"Lula e sua esposa não receberam qualquer bem, valor ou direito da OAS que seja proveniente de desvios da Petrobras e muito menos tinham conhecimento da suposta origem ilícita desses valores", sublinharam.

Ao falarem de "motivação política" num indiciamento montado com "ilações ou suposições", os advogados apontaram que "o delegado Marcio Adriano Anselmo tem histórico de ofensas a Lula nas redes sociais e já expressou publicamente a sua simpatia por campo político antagónico ao ex-Presidente".

Lusa

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