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FARC decreta cessar-fogo para a mesma hora da trégua do Governo

A guerrilha colombiana FARC decretou um cessar-fogo definitivo a partir das 00:00 de segunda-feira (05:00 em Lisboa) na sequência do acordo de paz histórico assinado esta semana com o governo colombiano.

"Ordeno a todos os nossos comandantes, a todas as unidades e a cada um dos combatentes que cessem fogo e todas as hostilidades de maneira definitiva contra o Estado colombiano a partir da meia-noite de hoje", declarou hoje à imprensa, em Havana, o chefe supremo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Timoleon Jimenez, conhecido por "Timochenko".

Na quinta-feira, o Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, tinha ordenado um cessar-fogo definitivo para a mesma hora, pelo que já se esperava que as FARC fizessem o mesmo.

Os acordos de paz assinados na quarta-feira puseram fim a um conflito que começou em 1964 com uma insurreição de camponeses que veio a dar origem às FARC, que ainda contam com 7.500 homens armados.

"Ouvimos com emoção a ordem presidencial dada ao seu exército, e, consequentemente, damos a mesma ordem às nossas tropas", explicou o chefe das FARC.

É a primeira vez que o governo colombiano e as FARC coincidem numa ordem de cessar-fogo. Desde julho de 2015 que as FARC respeitavam um cessar-fogo unilateral, que contribuiu para limitar consideravelmente os confrontos com as forças governamentais.

Os acordos de paz assinados em Havana, concluindo quase quatro anos de negociações, deverão ser assinados oficialmente pelo Presidente Santos e por "Timochenko" entre os dias 20 e 26 de setembro. Serão depois submetidos ao escrutínio de todos os colombianos num referendo a 02 de outubro.

Já a guerrilha deverá ratificar o texto do acordo numa conferência nacional de 13 a 19 de setembro no sul da Colômbia. Uma vez assinado oficialmente o acordo, os guerrilheiros deverão apresentar-se em 31 zonas determinadas na Colômbia, onde - sob supervisão da ONU - deverão entregar as armas.

O conflito colombiano já fez pelo menos 260 mil mortos, 45 mil desaparecidos e 6,8 milhões de deslocados.

Lusa

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