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Vice-procuradora geral brasileira demite-se após participação em protesto em Portugal

​A vice-procuradora-geral da República do Brasil, Ela Wiecko Volkmer de Castilho, pediu a exoneração do cargo, depois de divulgadas imagens da sua participação num protesto contra a destituição da Presidente suspensa, Dilma Rousseff, em Portugal.

"Ela Wiecko Volkmer de Castilho pediu dispensa das funções do cargo de vice-procuradora-geral da República nesta terça-feira, 30 de agosto. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aceitou o pedido e assinou a portaria que será publicada no Diário Oficial da União", lê-se numa nota divulgada hoje pela instituição.

Segundo a nota, a vice-procuradora-geral "foi responsável por importantes projetos na área de direitos humanos, como a criação do Comité Gestor de Género e Raça do Ministério Público Federal e a defesa da legalidade da Lista Suja do trabalho escravo".

A procuradora demissionária, lê-se na nota, "também teve atuação de destaque no Conselho Superior do Ministério Público Federal e nos processos junto à Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça".

A decisão foi tomada após a divulgação de imagens de um evento em que participou em junho, em Portugal, com dezenas de pessoas, entre os quais Boaventura de Sousa Santos, professor catedrático da Universidade de Coimbra.

"Somos contra o golpe, a favor da democracia no Brasil, e tudo faremos internacionalmente para mostrar que este golpe é realmente um golpe que visou com que os golpistas tentassem parar a luta contra a corrupção que estava a ser iniciada no Brasil", disse Boaventura de Sousa Santos no vídeo divulgado na Internet.

Depois das suas palavras, os manifestantes gritaram "Fora, Temer", numa referência ao Presidente interino, Michel Temer, que ocupa o principal cargo da nação desde que a Presidente Dilma Rousseff foi temporariamente suspensa para ir a julgamento no âmbito do processo de 'impeachment'.

Entre os manifestantes, ajudando a segurar uma faixa onde se lê "Fora, Temer. Contra o golpe", aparece a vice-procuradora-geral da República.

Segundo a imprensa brasileira, Ela Wiecko Volkmer de Castilho continuará na Procuradoria-Geral da República, onde exerce cargo vitalício de subprocuradora.

No início do mês, o seu marido, Manoel Lauro Volkmer de Castilho, também pediu a exoneração do gabinete do magistrado Teori Zavaski, relator da Operação Lava Jato, que investiga o maior esquema de corrupção da história do Brasil, no Supremo Tribunal Federal (STF).

A demissão foi apresentada após ter assinado uma petição na qual advogados defenderam um recurso do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Comité de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), contra a atuação do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância.

Dilma Rousseff é alvo de um processo de destituição por irregularidades orçamentais e deverá ser definitivamente afastada esta quarta-feira, após a votação dos senadores.

O processo, que tem misturado argumentos jurídicos com políticos e levantado dúvidas sobre se realmente a Presidente suspensa cometeu crimes de responsabilidade, dividiu a população, com os apoiantes de Dilma Rousseff a acusarem os seus opositores e Michel Temer de "golpistas".

Lusa

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