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Candidatura de Guterres à ONU mostra "consolidação progressiva", diz Governo

O ministro dos Negócios Estrangeiros português considerou esta sexta-feira que a vitória de António Guterres na quarta votação do Conselho de Segurança das Nações Unidas é "mais uma demonstração da consolidação progressiva" da sua candidatura a secretário-geral da ONU.

O ex-primeiro-ministro português António Guterres voltou a ficar à frente na quarta votação secreta ocorrida hoje entre os membros do Conselho de Segurança para eleger o próximo secretário-geral da organização, obtendo 12 votos "encoraja", dois "desencoraja" - melhorando o resultado da anterior votação - e um "sem opinião".

O Governo português vê "esta votação como mais uma demonstração da consolidação progressiva" da candidatura de António Guterres ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas, disse hoje à Lusa o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

"É a quarta [votação] na qual o engenheiro António Guterres obtém os melhores resultados", o que, para o executivo português, "mostra bem a consistência do apoio generalizado à candidatura do engenheiro Guterres e a confirmação da excelência dessa candidatura, portanto, a confirmação das qualidades que assistem ao engenheiro António Guterres para ocupar essa tão alta função nestes tempos tão complexos e difíceis".

O ministro salientou ainda que a votação de hoje representa uma melhoria face ao resultado obtido na votação imediatamente anterior -- a 29 de agosto, tinha recebido 11 votos de "encoraja" e, agora, 12, enquanto reduziu o número de votos "desencoraja" de três para dois.

Santos Silva afastou no entanto a ideia de que estes resultados sucessivos indiquem já que António Guterres, que esteve dez à frente do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, venha a ser o sucessor de Ban Ki-moon nas Nações Unidas.

"O processo está muito no seu início, trata-se apenas ainda de votações de encorajamento ou desencorajamento. Ainda não chegámos à fase de escolher entre candidatos, estamos numa fase em que os membros do Conselho de Segurança se vão pronunciando sobre a qualidade dos candidatos", explicou.

O Conselho de Segurança, sublinhou o ministro, "levará o tempo que entender necessário para chegar ao consenso que permita apresentar uma candidatura à assembleia-geral das Nações Unidas".

Neste momento, acrescentou, "é evidente o apoio de que beneficia o engenheiro António Guterres, é evidente a confirmação, votação após votação, desse apoio, é evidente a consistência da sua candidatura, e é evidente também a consolidação dessa candidatura".

Santos Silva destacou que a candidatura de Guterres "é apresentada por si, não é contra ninguém" e foi apresentada pelo Governo português para que "a escolha do Conselho de Segurança seja a mais informada e a melhor possível".

Para o futuro, o governante referiu que Guterres manterá uma "campanha serena".

"Continuamos a apresentar as ideias, o perfil, aliás, bem conhecido, e a visão do engenheiro António Guterres para secretário-geral das Nações Unidas", destacou.

Para Santos Silva, o novo formato do processo de escolha das candidaturas -- mais público e transparente, envolvendo apresentação pública das candidaturas e debates -- "em muito tem beneficiado o engenheiro António Guterres".

Durante a votação de hoje, cada um dos 15 membros do Conselho de Segurança indicou se "encoraja", "desencoraja" ou "não tem opinião" sobre os 11 candidatos.

Em segundo lugar, ficou novamente o eslovaco Miroslav Lajcak, melhorando a sua votação da terceira ronda, seguido do sérvio Vuc Jeremic.

Duas outras votações estão agendadas: uma semelhante às primeiras quatro, que acontece a 26 de setembro, e uma na primeira semana de outubro, em que os votos dos membros permanentes do conselho, que têm poder de veto sobre os candidatos, serão destacados.

António Guterres venceu as três primeiras votações para o cargo, que aconteceram a 21 de julho, 05 de agosto e 29 de agosto.

Assim que um candidato reunir nove votos entre os 15 países membros e aprovação de todos os membros permanentes - China, França, Reino Unido, Rússia e Estados Unidos - o conselho recomendará o seu nome para aprovação pela Assembleia-Geral da ONU, que reúne representantes de 193 países.

A organização espera ter encontrado durante o outono o sucessor de Ban Ki-moon, que termina o seu segundo mandato no final do ano.

Lusa

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