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Ucrânia anuncia boicote às eleições legislativas russas no seu território

A Ucrânia anunciou hoje o boicote das eleições parlamentares russas de 18 de setembro no seu território, depois do apelo recente à comunidade internacional para que não reconheça resultados eleitorais da península anexada da Crimeia.

"O presidente (Petro Poroshenko) encarregou o ministro das Relações Exteriores para informar Moscovo sobre a impossibilidade de realização das eleições russas no território da Ucrânia", escreveu o porta-voz presidencial, Sviatoslav Tsegolko, na rede social Twitter.

Os russos já exerceram no passado o seu direito de voto nas missões diplomáticas russas do país vizinho, tanto na capital, Kiev, como em outras cidades.

O Ministério das Relações Exteriores russo solicitou esta semana às autoridades ucranianas para que garantisse a segurança das embaixadas e consulados russos em Kiev, Odessa, Kharkov e Lvov, durante o dia da eleição.

Mas o parlamento ucraniano apelou esta quinta-feira à comunidade internacional para que se recuse a enviar observadores para estas eleições, as primeiras desde a anexação pela Rússia em março de 2014 da Crimeia, onde existem cerca de 1,8 milhões de eleitores.

Sobre esta questão, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse recentemente que a Rússia não iria considerar a posição oficial da Ucrânia, já que a "Crimeia é território russo".

A presidente da Comissão Eleitoral Central da Rússia, Ella Pamfilova, afirmou hoje que desenvolverá contactos com o Ministério das Relações Exteriores russo para decidir as medidas a tomar contra o boicote ucraniano.

O partido do Kremlin, Rússia Unida (RU), procura renovar a sua maioria absoluta nas eleições de 18 de setembro para a Duma, a câmara baixa de deputados, embora as sondagens apontem para as mais baixas intenções de voto da sua história.

O presidente russo, Vladimir Putin, tem insistido nos últimos meses na importância das eleições parlamentares e em que estas são legítimas.

Denúncias sobre fraude nas anteriores eleições legislativas de dezembro de 2011 levaram aos maiores protestos contra o Governo em 20 anos.

Lusa

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