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Campanha global pede a Obama que perdoe Edward Snowden

© Reuters

Várias organizações e personalidades lançaram esta quarta-feira uma campanha global para pedir a Barack Obama que se coloque "do lado certo da história" e perdoe Edward Snowden antes de terminar o mandato, em janeiro de 2017.

Snowden, o consultor informático que em 2013 revelou a existência nos serviços de informações dos Estados Unidos de programas de vigilância em massa de comunicações, "enfrenta a possibilidade de décadas na prisão por falar em defesa dos direitos humanos", lê-se num comunicado.

A Amnistia Internacional, a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) e a Human Rights Watch estão entre os organizadores da campanha, que defende que "deixar Edward Snowden num limbo será uma mancha no legado do presidente Obama".

Snowden, 33 anos, está exilado na Rússia desde 1 de agosto de 2013. Os Estados Unidos acusam-no de violar a lei da espionagem, pelo que pode ser condenado a 30 anos de prisão.

"Sim, há leis nos livros que dizem uma coisa, mas é talvez por isso que existe o perdão, para as exceções, para o que pode parecer ilegal em forma de letra numa página, mas que se for olhado moralmente, eticamente, pelos resultados que teve, foi necessário e foi decisivo", sustenta Snowden numa entrevista publicada na terça-feira pelo diário britânico The Guardian.

"Penso que quando as pessoas veem os benefícios, é claro que desde 2013 as leis do nosso país mudaram. O Congresso, os tribunais e o presidente, todos mudaram de política depois destas revelações. Ao mesmo tempo, nunca houve uma prova pública de que alguém tenha sofrido" com elas, acrescenta.

A campanha pelo perdão presidencial é lançada dois dias antes da estreia comercial do filme "Snowden", do realizador norte-americano Oliver Stone, que já foi apresentado no festival de cinema de Toronto, Canadá.

"Edward Snowden agiu claramente no interesse do público. Ele suscitou um dos mais importantes debates sobre vigilância governamental em décadas e deu origem a um movimento global em defesa da privacidade na era digital. Castigá-lo por isso enviaria a perigosa mensagem de que aqueles que são testemunhas de violações dos direitos humanos não devem denunciá-las", advertiu o secretário-geral da Amnistia Internacional, Salil Shetty.

"É irónico que Snowden esteja a ser tratado como um espião, quando o seu ato de coragem chamou a atenção para o facto de os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido espiarem ilegalmente milhões de pessoas sem o seu consentimento", acrescentou.

Snowden entregou a jornalistas milhares de documentos secretos que reuniu quando trabalhou como analista informático para uma empresa subcontratada pela Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana. Os documentos revelaram a existência de programas de vigilância de milhões de comunicações telefónicas e eletrónicas pelos governos norte-americano e britânico.

Depois das revelações de Snowden, Barack Obama aprovou uma diretiva que impôs mudanças significativas às práticas de vigilância das agências norte-americanas.

"Casos como o de Edward Snowden são precisamente a razão por que existe o perdão (...) Face ao contributo muito concreto de Snowden para um debate democrático mundial, devíamos estar a discutir como lhe agradecer, não como o castigar", defendeu o advogado de Snowden, Ben Wizner.

Lusa

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