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Rússia pede extensão da trégua na Síria e acusa rebeldes de violarem acordo

A Rússia disse-se disposta a prolongar a trégua na Síria por 72 horas, apesar das "muitas violações" do acordo de cessar-fogo negociado com os Estados Unidos, afirmou esta sexta-feira um responsável do Estado-Maior russo.

"Estamos dispostos a prolongar a cessação das hostilidades por mais 72 horas", disse o general Viktor Poznikhir numa declaração transmitida pela televisão.

O general pediu aos Estados Unidos que tomem "medidas decisivas" para que os rebeldes respeitem a trégua em vigor desde segunda-feira.

As declarações de Poznikhir foram feitas pouco depois da divulgação de um comunicado do porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Konachenkov, afirmando que "apenas um dos beligerantes", as forças do regime e o exército russo, estão a respeitar a trégua negociada entre Moscovo e Washington.

"Apesar de o cessar-fogo ser um acordo bilateral, apenas um dos beligerantes o respeita verdadeiramente", afirmou.

"A questão fundamental sobre a capacidade da 'oposição moderada' para o respeitar continua em aberto. Até ao momento, todas as tentativas dos nossos parceiros americanos para mostrar que têm algum controlo sobre esses 'membros da oposição' na Síria saldaram-se num fracasso", afirmou o porta-voz.

O cessar-fogo que entrou em vigor ao anoitecer de segunda-feira visa permitir a entrega de ajuda humanitária, prevendo a desmilitarização da estrada Castello, a principal via de acesso à cidade dividida de Alepo (norte).

Um alto responsável militar russo, Vladimir Savchenko, disse hoje que as tropas do governo sírio regressaram àquela estrada depois de terem retirado porque os rebeldes não estavam a retirar.

"Apesar do acordo, as forças da oposição não retiraram as armas e equipamentos de Castello. Em consequência, com o cair da noite, as armas e equipamentos retirados pelas forças governamentais foram recolocados nas posições anteriores", disse.

Uma coluna de 40 camiões com ajuda humanitária para Alepo continua na fronteira com a Turquia a aguardar condições para avançar, segundo o gabinete de assuntos humanitários da ONU.

O Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se de emergência hoje às 17:30 (22:30 de Lisboa) para discutir os termos do acordo russo-norte-americano e decidir se apoia o acordo. Os chefes das diplomacias russa, Serguei Lavrov, e norte-americana, John Kerry, participam na reunião.

Lusa

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