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Papa denuncia quem trava guerras em nome de Deus em encontro inter-religioso

O papa Francisco denunciou esta terça-feira aqueles que travam guerras em nome de Deus, num encontro com líderes religiosos e vítimas de conflitos para debater o aumento do fanatismo e da violência no mundo.

"O mundo está em guerra, o mundo está a sofrer", disse o papa argentino antes do início do encontro, ao mesmo tempo que os combates foram retomados na Síria e os Estados Unidos estão a investigar um ataque possivelmente ligado ao Daesh.

"Não existe um Deus da guerra", declarou, pedindo a "todos os homens e mulheres de boa vontade, de qualquer religião, orações pela paz".

O Dia Mundial da Oração pela Paz, estabelecido por João Paulo II há 30 anos e realizado na cidade medieval de Assis, no centro de Itália, tem por objetivo lutar contra a perseguição religiosa e o extremismo disfarçado de religião.

O papa lembrou que apesar de nações ocidentais terem sofrido vários ataques terroristas, existem zonas no mundo onde as cidades são arrasadas pela guerra, prisioneiros são torturados e famílias morrem à fome.

"Estamos assustados por alguns atentados terroristas" mas "isto não é nada quando comparado com o que está a acontecer nesses países, nessas terras onde bombas caem dia e noite", disse Francisco durante a missa matinal no Vaticano.

"Quando rezarmos hoje, seria bom que todos sentíssemos vergonha, vergonha que humanos, nossos irmãos e irmãs, sejam capazes de fazer isto", afirmou.

Jorge Bergoglio, de 79 anos, chegou de helicóptero a Assis, onde vai almoçar com dez vítimas de guerra, antes de se reunir com vários líderes religiosos, incluindo o arcebispo anglicano de Cantuária, Justin Welby, e o patriarca ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu I.

O Vaticano indicou que o líder da Igreja Católica manteria também encontros com representantes muçulmanos e judeus e como Koei Morikawa, chefe da escola Tendai de Budismo do Japão.

Às 14:00 TMG (15:00 em Lisboa), os vários líderes retiram-se para rezar, em locais separados, antes de se reunirem novamente para uma cerimónia conjunta, durante a qual serão lidas mensagens de paz.

Cerca de 500 representantes de diferentes religiões e leigos estão a participar numa série de mesas redondas, desde domingo, em Assis, para debater violência religiosa, as alterações climáticas ou a crise migratória.

Esta a segunda visita do papa à cidade onde nasceu São Francisco de Assis, que renunciou à riqueza e escolheu uma vida de pobreza, tornando-se num emissário da paz.

Em agosto, durante uma visita à Polónia, o líder de 1,2 mil milhões de católicos, que escolheu o nome Francisco em homenagem ao santo e à sua devoção pela paz e pelo perdão, afirmou que "o mundo está em guerra" criada pela ganância "por interesses, dinheiro, recursos" e não pela religião.

"Todas as religiões querem a paz, são os outros que querem a guerra", afirmou.

Francisco alertou para o perigo de identificar Islão com terrorismo, insistindo que também existem fundamentalistas católicos.

Lusa

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