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Abbas diz que Israel "destrói" qualquer esperança na solução de dois Estados

Sergei Ilnitsky

O Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, afirmou esta quinta-feira na Assembleia-geral da ONU que a manutenção dos colonatos israelitas na Cisjordânia, território palestiniano ocupado há quase 50 anos, destrói qualquer esperança de uma solução de dois Estados.

"O que o governo israelita está a fazer ao continuar com a sua colonização expansionista é destruir qualquer possibilidade de uma solução de dois Estados segundo as fronteiras de 1967", declarou Abbas, a partir da tribuna das Nações Unidas.

"Os colonatos são ilegais em todos os seus aspetos", insistiu.

A solução dos dois Estados - a criação de um Estado palestiniano coexistente em paz com Israel - tem sido a peça central dos vários projetos internacionais de regulação do conflito israelo-palestiniano, um dos mais antigos do mundo.

A colonização, a construção de edificações civis em terras ocupadas por Israel desde 1967, tem sido um grande obstáculo para a paz naquela região.

O processo é considerado ilegal pela comunidade internacional, mas tem sido mantido por todos os governos israelitas, incluindo o atual executivo liderado por Benjamin Netanyahu, que figura entre os defensores dos colonatos.

Durante a sua intervenção na 71.ª sessão da Assembleia-geral das Nações Unidas, a decorrer em Nova Iorque, o Presidente da Autoridade Palestiniana prometeu "continuar com todos os esforços" para obter a adoção no Conselho de Segurança da ONU de uma resolução de condenação da colonização e "do terrorismo exercido pelos colonos".

"Estamos envolvidos neste momento em consultas intensivas com países árabes e com outros amigos sobre esta questão", acrescentou.

As anteriores tentativas palestinianas para tentar votar uma resolução no Conselho saíram fracassadas nomeadamente por causa da oposição dos Estados Unidos, membro permanente daquele órgão das Nações Unidas que dispõe de direito de veto.

Abbas lamentou o facto de nenhuma das 12 resoluções do Conselho a condenar a colonização israelita nos territórios palestinianos ocupados tenha sido aplicada, insistindo que isso "encorajou Israel a continuar com os projetos" na Cisjordânia com "toda a impunidade".

Também afirmou por diversas vezes que os palestinianos "nunca irão aceitar que a atual situação continue", sublinhando que o povo palestiniano "nunca irá aceitar uma solução temporária ou provisória".

Mahmud Abbas instou ainda a comunidade internacional a reconhecer a Palestina como um Estado.

"Aqueles que acreditam na solução dos dois Estados devem reconhecer os dois Estados, e não apenas um deles", frisou ainda.

Lusa

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