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Netanyahu diz que ONU se tornou numa farsa

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, considerou esta quinta-feira que a ONU se converteu numa "farsa moral" e disse que o conflito israelo-palestiniano "nunca" esteve relacionado com a colonização israelita, denunciada na mesma tribuna pelo líder palestiniano Mahmud Abbas.

"A ONU começou como uma força moral e converteu-se numa farsa moral", disse Netanyahu, ao fornecer como exemplo o facto de a Assembleia-geral, onde discursava, ter aprovado 20 resoluções contra Israel em 2015 e três contra todos os restantes Estados-membros.

Após criticar a "obsessão" de uma maioria dos Estados-membros face ao seu país, Netanyahu também sublinhou na sua intervenção que o conflito israelo-palestiniano "nunca" esteve relacionado com a colonização israelita, mas antes "com a existência de um Estado judeu, um Estado judeu quaisquer que sejam as suas fronteiras".

Ao citar Haifa, Jaffa e Telavive, cidade de Israel, acrescentou: "Eis verdadeiramente as colónias às quais eles [os palestinianos] se opõem".

No entanto, reconheceu que a colonização constitui "um verdadeiro assunto" mas disse que "pode e deve ser resolvido no âmbito das negociações sobre o estatuto final" dos territórios palestinianos".

Cerca de uma hora antes, o presidente palestiniano Mahmud Abbas tinha afirmado na mesma tribuna que o prosseguimento da colonização israelita na Cisjordânia iria destruir toda a esperança de uma solução a dois Estados.

Na sua intervenção perante a Assembleia geral, e apesar das suas críticas, o chefe do Governo israelita disse estar convencido que as atitudes do mundo face ao seu país estão a começar a mudar e que dentro de alguns anos Israel poderá "aplaudir" as Nações Unidas.

"Israel tem um grande futuro na ONU. Sei que escutar isso vindo de mim pode ser uma surpresa, porque ano após anos subi a este pódio e critiquei duramente a ONU pelas suas objeções contra Israel", ironizou.

Na sua perspetiva, esta nova situação positiva chegará à medida que mais governos reconheçam Israel como um "forte parceiro", incluindo no mundo árabe.

Netanyahu também insistiu em apresentar uma visão otimista do futuro e mostrou-se convencido que Israel vai obter uma paz duradoura com todos os seus vizinhos, apesar de não ter poupado a anterior intervenção de Mahmud Abbas.

"Digo ao presidente Abbas que tem uma decisão: pode continuar a agitar o ódio, como hoje, ou fazer-lhe frente e trabalhar comigo para a paz", assinalou.

Numa referência a este persistente conflito no Médio Oriente, Netanyahu reiterou o seu compromisso para uma solução de dois Estados mas frisou que o seu país não aceitará que os termos "sejam ditados a partir da ONU".

"O caminho para a paz passa por Jerusalém e Ramallah, não por Nova Iorque", sustentou.

Lusa

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